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Encontrado o primeiro animal que não precisa de oxigênio para sobreviver

Por History Channel Brasil em 27 de Fevereiro de 2020 às 18:07 HS
Encontrado o primeiro animal que não precisa de oxigênio para sobreviver-0

Uma equipe de cientistas identificou pela primeira vez um tipo de animal que não precisa respirar para sobreviver. De acordo com pesquisadores da Universidade de Tel Aviv, em Israel, trata-se de um organismo multicelular sem genoma mitocondrial. Isso significa que ele é capaz de viver sem oxigênio.

O animal é um parasita da classe myxozoa, parente distante das águas-vivas, batizado de Henneguya salminicola. O organismo tem apenas dez células e vive nos músculos de salmões. Ao analisar a criatura, os cientistas se surpreenderam ao constatar a ausência do genoma mitocondrial (porção do DNA das mitocôndrias que contém os genes responsáveis pela respiração). Sem esse recurso celular, considerado imprescindível para toda a vida animal, o parasita é incapaz de processar oxigênio para respiração.

"A respiração aeróbica era considerada onipresente nos animais, mas agora confirmamos que esse não é o caso", afirmou a professora Dorothee Huchon, do curso de Zoologia da Universidade de Tel Aviv. "Nossa descoberta mostra que a evolução pode ir em direções estranhas. A respiração aeróbica é uma importante fonte de energia e, no entanto, encontramos um animal que abandonou esse caminho", completou.

"Ainda não está claro para nós como o parasita gera energia", disse ainda Huchon. "Ele pode retirá-la das células de peixes circundantes ou apresentar um tipo diferente de respiração", teorizou. O estudo foi publicado na revista  Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

A descoberta também pode refletir na busca por vida fora da Terra. Isso porque é possível que ambientes extraterrestres que antes eram descartados devido à falta de oxigênio podem, na verdade, abrigar organismos multicelulares capazes de sobreviver em condições anaeróbicas, como o parasita Henneguya.


Fontes: IFLScience, Live Science e Universidade de Tel Aviv

Imagem: Stephen Douglas Atkinson/Universidade de Tel Aviv/PNAS/Reprodução