Início

Marco histórico: cientistas desenvolvem embriões de camundongos em útero artificial

Por History Channel Brasil em 17 de Março de 2021 às 15:50
Marco histórico: cientistas desenvolvem embriões de camundongos em útero artificial-0

Pela primeira vez, cientistas conseguiram desenvolver embriões de camundongos em um útero artificial. O experimento pioneiro foi colocado em prática por pesquisadores do Instituto de Ciências Weizmann, em Israel. O estudo poderá levantar questões éticas a respeito da possibilidade futura da gestação de humanos usando essa técnica.

Segundo o estudo, publicado na revista Nature, os embriões de camundongos cresceram normalmente dentro do útero mecânico. Todos os órgãos se desenvolveram conforme o esperado, assim como os membros e sistemas circulatório e nervoso. A pesquisa tem como objetivo auxiliar os cientistas a compreenderem como os mamíferos se desenvolvem e como os fetos podem ser afetados por mutações genéticas, nutrientes e condições ambientais.

A experiência foi liderada pelo Dr. Jacob Hanna. Primeiramente, ele e sua equipe removeram os embriões do útero de camundongos após cinco dias de gestação. Depois disso, os embriões foram cultivados por mais seis dias em úteros artificiais

.

Após 11 dias de desenvolvimento, os embriões usados no estudo eram idênticos aos desenvolvidos em úteros naturais. Nesse estágio, porém, os embriões criados em laboratório ficaram grandes demais para sobreviver sem um suprimento de sangue. Eles tinham placenta e vitelínico, mas a solução nutritiva que os alimentava não era suficiente para prosseguir o desenvolvimento. O próximo passo da equipe de Hanna é a criação de uma solução de nutrientes ou um fornecedor artificial de sangue para contornar esse obstáculo.

Pesquisadores de outras instituições classificaram a experiência de "extraordinária". Segundo o biólogo Paul Tesar, da Escola de Medicina da Universidade Case Western Reserve, nos Estados Unidos, Trata-se de um marco histórico. Para ele, a possibilidade da técnica ser usada em humanos deverá ser discutida pela sociedade, juntamente com especialistas em ética e agências regulatórias.


Fonte: New York Times

Imagem: Shutterstock.com