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Testes nucleares da França no Oceano Pacífico afetaram 110 mil pessoas

A França colocou em prática uma série de testes nucleares no Oceano Pacífico entre as décadas de 1960 e 1990. Agora, pesquisadores calcularam o impacto causado pelas explosões na região. Segundo eles, 110 mil pessoas da Polinésia Francesa foram afetadas pela radioatividade.

No estudo, fruto de uma colaboração entre o site de notícias francês Disclose, pesquisadores da Universidade de Princeton e da empresa britânica Interprt, foram analisados cerca de dois mil documentos liberados pelas forças armadas da França. Durante quase 30 anos, o território da Polinésia Francesa, composto de centenas de ilhas, foi palco de dezenas de testes nucleares. Segundo os estudiosos, praticamente a população inteira da região sofreu algum tipo de contaminação radioativa.

Entre os testes mais prejudiciais, está o que aconteceu no Atol de Mururoa, em 1974. Naquela ocasião, a nuvem atômica tomou uma direção diferente do previsto. Segundo o relatório, os habitantes do Taiti e região foram expostos a níveis significativos de radiação ionizante após 42 horas.

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Os pesquisadores descobriram que a radiação resultante foi 10 vezes mais alta do que a estimativa fornecida pela Comissão de Energia Atômica da França em um relatório publicado em 2006. Esse documento foi usado como critério para os habitantes da região solicitarem indenizações pelos danos provocados pela radiação. Acredita-se que os testes possam ter causado o desenvolvimento de casos de câncer em pessoas da região.

De acordo com um relatório confidencial do ministério da saúde polinésio obtido pelos pesquisadores, cerca de 11 mil pessoas receberam doses de radiação superiores a 5 milisieverts (mSv) no teste de 1974, ou seja cinco vezes o nível mínimo para que os cidadãos solicitassem indenizações, desde que posteriormente desenvolvessem certos tipos de câncer. Até hoje, apenas 63 polinésios foram indenizados pelo governo francês.


Fontes: BBC e The Guardian

Imagem: Shutterstock.com