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A escola nunca foi o seu forte? Saiba quais grandes figuras da história já passaram por isso

A educação pode ser uma das chaves para o sucesso, mas estudantes rebeldes podem se consolar no fato de que algumas das personalidades mais influentes da história foram expulsas da escola, da faculdade ou do exército na sua juventude. A maioria foi dispensada por travessuras ou outras imprudências juvenis, mas poucas foram afastadas por causa das características que as tornaram famosas. De Edgar Allan Poe a Salvador Dalí: saiba mais sobre seis personalidades históricas que foram expulsas de instituições de ensino.

 

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1. Edgar Allan Poe

Em 1839, a futura lenda da literatura Edgar Allan Poe renunciou de seu posto no exército norte-americano e se matriculou na Academia Militar dos Estados Unidos, em West Point. O aspirante a poeta havia deixado anteriormente a Universidade de Virgínia após acumular uma grande dívida com bebidas e jogos, e dizem também que sua posição em Point era igualmente instável. Poe resistiu à disciplina militar rígida e prosperou nos seus estudos. Porém, após uma briga com seu pai adotivo, John Allan, ele decidiu fazer o possível para ser expulso. Uma história popular diz que ele foi dirigido à corte marcial por aparecer nu a um exercício, apenas com sua cartucheira, mas, na verdade, ele apenas parou de ir às aulas, atender às chamadas e de rezar na capela, para passar seu tempo no Benny Havens, um bar local. No total, Poe acumulava mais de duzentas infrações e deméritos quando foi dispensado de West Point, em janeiro de 1831. Antes de partir, o rapaz de 22 anos convenceu vários de seus colegas de turma a doar fundos para financiar os custos da impressão de seu terceiro livro de poemas. Mais tarde, ele iria dedicar o volume ao Corpo de Cadetes dos EUA.

 

 

2. William Randolph Hearst

Antes de criar um império midiático, William Randolph Hearst foi um dos alunos rebeldes mais famosos de Harvard. O jovem futuro magnata se esforçou muito para se manter em dia com o rigoroso programa acadêmico da universidade, preferindo passar seus dias trabalhando na revista de humor “Harvard Lampoon”, cuidando de seu jacaré de estimação “Champagne Charlie” e indo para a farra com os amigos. Ainda assim, pode ter sido a tendência de Hearst a fazer piadas que finalmente o levou a ser dispensado. Em uma de suas brincadeiras, ele deixou um macaco na sala de um professor com um bilhete em seu pescoço que dizia: “Agora são dois de vocês”; e em outra ocasião jogou tortas nos atores do Boston Theater. A gota d’água aconteceu em 1885, quando Hearst – já em provação acadêmica – enviou aos seus professores, por correio, penicos com seus nomes e fotografias estampados no interior. Hearst deixou Harvard de cabeça para baixo, mas, em 1887, convenceu seu pai a colocá-lo no comando de um jornal da família, o San Francisco Examiner, iniciando uma carreira midiática que o transformaria em um dos homens mais ricos do mundo.

 

 

3. Benito Mussolini

Durante seus anos escolares, nas décadas de 1880 e 90, o ditador fascista italiano Benito Mussolini tinha uma famosa reputação de praticar bullying, roubando e desafiando os seus professores. “Mais de uma vez, eu voltei para casa com minha cabeça sangrando por causa de uma pedrada”, ele escreveu posteriormente sobre suas inúmeras brigas, “mas eu sabia como me defender”. Quando tinha 9 anos, os pais de Mussolini o enviaram a um rigoroso internato católico na esperança de que os padres conseguissem acalmar seu forte temperamento. Entretanto, o menino que se tornaria “Il Duce” não se adaptou à disciplina católica e, em 1893, foi expulso do colégio após ter esfaqueado um colega na mão com um canivete e jogado um tinteiro em um padre que tentava corrigi-lo. Mussolini foi enviado para outro internato, de onde ele quase foi expulso uma segunda vez por outro esfaqueamento. Apesar de sua aparente antipatia em relação à escola, Mussolini obteve posteriormente um certificado de ensino e trabalhou como educador. Surpreendentemente ou não, o futuro ditador era conhecido por sua severidade e foi apelidado de “o tirano” por seus estudantes.

 

 

4. Marlon Brando

Um dos papéis mais famosos de Brando no cinema veio em 1953, em “O Selvagem”, no qual ele interpreta o líder de uma gangue rebelde de motociclistas. Mas o personagem não deve ter sido um grande desafio para ele, um encrenqueiro e brincalhão sem escrúpulos, que em uma ocasião teria pilotado uma motocicleta pelos corredores de sua escola secundária em Libertyville, Illinois. “Eu era um mau aluno, um matador de aulas crônico e totalmente incorrigível”. Depois, Brandon contou sobre sua época na escola: “Eu era constantemente levado para a sala do diretor para ser disciplinado”. Graças a médias baixas e um acúmulo de mau comportamento, que ia desde jogar bombinhas a escrever redações em um rolo de papel higiênico, Brandon acabou sendo expulso de Libertyville em 1941. Ele então foi transferido para a Escola Militar de Shattuck, em Minnesota, onde continuou a exibir um ressentimento saudável em relação ao autoritarismo. Em 1943, Branco foi colocado em provação e confinado ao campus por responder a um oficial durante um exercício. Quando ele ignorou tais ordens e foi passar um dia na cidade, recebeu uma acusação de ter deixado o posto sem permissão e dispensado formalmente. Tendo sido expulso de duas escolas, Brando se mudou para Nova York e mergulhou na atuação. Apenas um ano depois, ele já fazia sua estreia na Broadway.

 

 

5. Percy Bysshe Shelley

O escritor Percy Bysshe Shelley é mais conhecido por ser o autor de poemas adorados como “Ozymandias” e “Queen Mab”, mas ele também era um notório agitador e livre pensador. Em 1811, durante seu primeiro ano como estudante da Universidade de Oxford, Shelley, com 18 anos então, uniu-se ao seu amigo Thomas Jefferson Hogg para escrever anonimamente um panfleto chamado “A Necessidade do Ateísmo”. O pequeno texto expunha os argumentos dos dois contra a existência de Deus e foi assinado por “Pela falta de provas, um ateu”. Esperando desencadear um debate teológico, Shelley divulgou amplamente o panfleto e utilizou pseudônimos para enviar cópias a vários clérigos e professores universitários. Na época, o ateísmo ainda era considerado um tema proibido e, logo, Shelley e Hogg foram descobertos e interrogados pelas autoridades acadêmicas de Oxford. Quando eles se recusaram a confirmar ou negar a autoria dos panfletos controversos, ambos foram expulsos. O escândalo gerou um conflito entre Shelley e seu pai, que acusou o panfleto de ser “criminoso” e “inadequado”. Apenas alguns meses depois, Shelley cortou relações com sua família e fugiu com uma menina de 16 anos no intuito de começar sua carreira literária.

 

 

6. Salvador Dalí

Em 1922, o futuro ícone do Surrealismo, Salvador Dalí, entrou para a Royal Academy of Fine Arts de San Fernando, em Madri. Ele tinha se inscrito na escola após ser encorajado por seu pai e, desde o início, não se impressionou nem um pouco com o corpo docente. “Imediatamente, eu entendi que aqueles velhos professores, cobertos de homenagens e condecorações, não podiam me ensinar nada”, ele escreveu depois. Embora tivesse ganhado elogios por seu estilo audacioso de pintar, Dalí foi suspenso da Royal Academy em 1923 por ter liderado um protesto estudantil contra o processo seletivo do corpo docente. Ele retornou a San Fernando no ano seguinte apenas para ser expulso para sempre em 1926, após ter dito que nenhum dos professores era qualificado o suficiente para avaliar ser trabalho. Depois de ser dispensado, Dalí entrou para o mundo artístico de Paris, adotou seu característico bigode arrebitado e começou a colaborar com membros do movimento Surrealista. Em 1931, ele já havia trabalhado em dois filmes com o diretor Luis Buñuel e completado “A Persistência da Memória”, seu quadro mais famoso.

 


Fonte: History.com

Imagem: antoniodiaz/Shutterstock.com