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Homossexualidade no Catar: 5 pontos para entender a maior polêmica do país-sede da Copa

Comunidade LGBTQI+ está preocupada, pois homossexuais podem ser punidos com penas severas
Por History Channel Brasil em 03 de Agosto de 2022 às 15:13 HS
Homossexualidade no Catar: 5 pontos para entender a maior polêmica do país-sede da Copa-0

As diferenças culturais entre as tradições islâmicas do Catar e o comportamento liberal do Ocidente podem gerar uma série de atritos durante a realização da primeira Copa do Mundo no Oriente Médio. Um dos principais questionamentos envolve a segurança dos turistas e torcedores da comunidade LGBTQI+, pois a homossexualidade é proibida no país. Confira abaixo cinco pontos para entender essa polêmica.

1- Lei da sharia

Lei da sharia

De acordo com a Constituição do Catar, a sharia é a principal fonte da legislação do país. Essa lei religiosa do Islã é vista como a expressão do mandamento de Deus para os muçulmanos. Embora nem o Alcorão nem a Sunna (tradições e práticas de Maomé) façam referências explícitas a relações entre pessoas do mesmo sexo, muitos estudiosos muçulmanos usam a história de Ló para justificar que atos de sodomia são uma forma de sexo ilícito que deve ser punida. Segundo a tradição das três grandes religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo), o "povo de Ló", que vivia em Sodoma, foi destruído pela ira de Deus devido a seus grandes pecados.

2 - Homossexualidade é crime no Catar

Mãos com as cores do arco-íris algemadas

Assim, com base na sharia, a homossexualidade é ilegal no Catar. As penas variam de açoitamento a três anos de prisão e até mesmo execução. Apesar disso, não há registros de que homossexuais tenham sido condenados à pena de morte no país. Fazer campanhas pela causa LGBTQI+ também é proibido lá.

3 - Promessa de tolerância

Ilustração dizendo "Welcome to Qatar"

Apesar de a homossexualidade ser crime no Catar, a promessa é que haverá tolerância com essa população durante a Copa do Mundo. “Eles [LGBTQI+] virão ao Catar como torcedores de uma competição de futebol. Eles podem fazer o que qualquer outro ser humano faria. O que estou dizendo é que o Catar é conservador no que diz respeito à exibição pública de afeto”, disse Nasser Al Khater, presidente-executivo do comitê organizador do torneio. “Gostaria de garantir a qualquer torcedor, de qualquer gênero, orientação [sexual], religião, raça, que tenha certeza de que o Catar é um dos países mais seguros do mundo – e todos serão bem-vindos aqui”, afirmou.

4 - Questionamentos da comunidade LGBTQI+

Bandeira LGBTQI+

Mesmo com essas promessas, há dúvidas sobre como essa tolerância funcionará na prática durante a Copa do Mundo. Recentemente, um grupo internacional formado por 16 organizações focadas nos direitos LGBTQI+ emitiu oito demandas para os organizadores do torneio, a Fifa e o comitê organizador local do evento. Entre elas, está fornecer garantias explícitas de segurança aos membros da comunidade, garantir o direito de entrada no Catar, direito à liberdade de expressão e garantir que não haja censura ou proibição da discussão de questões LGBTQI+.

“Se o reconhecimento dos problemas enfrentados pelas pessoas LGBTQI+ no Catar e garantias de segurança não puderem ser oferecidos, seremos forçados a questionar se os membros da comunidade que desejam participar ou trabalhar na Copa do Mundo do Catar não estão correndo um risco muito alto", disse o grupo em um comunicado. Anteriormente, autoridades do país afirmaram que bandeiras de arco-íris podem ser confiscadas para “proteger” os turistas contra percepções de que estão “insultando” a sociedade.

5 - Hospedagem

Prédios da cidade de Lusail, no Catar

Meses antes do início da Copa, a questão da hospedagem de turistas LGBTQI+ já está causando preocupação. Recentemente, jornalistas da Suécia e Dinamarca fingiram ser casais homossexuais e tentaram reservar quartos para suas luas de mel. Três hotéis listados no site da FIFA negaram as reservas, mesmo com a promessa das autoridades da federação de futebol e do Catar de que todos seriam bem-vindos ao país.

Segundo os jornalistas, os hotéis sugeriram que receber um casal homoafetivo seria contra a política do local. Outros 20 estabelecimentos aconselharam o casal a modificar seu comportamento para evitar demonstrações públicas de afeto durante a estadia, sugerindo ainda que eles "não usassem maquiagem nem se vestissem de forma gay". Um dos hotéis respondeu o seguinte: "Gostaria de informar que já tivemos incidentes em que a polícia pegou cidadãos do Catar que tiveram relações homossexuais no hotel".

"A FIFA está confiante de que todas as medidas necessárias estarão em vigor para os torcedores LGBTQI+, para que eles, como todos os outros, possam se sentir bem-vindos e seguros durante o campeonato", disse a entidade em resposta aos jornalistas.

Fontes
The Guardian, Hypeness e Daily Mail
Imagens
iStock