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Astrofísicos dizem que desvendaram o maior dos mistérios sobre o Sol

Há no mundo da astrofísica grandes mistérios que permanecem sem resposta. Desde a matéria escura até os segredos dos buracos negros. Mas um desses enigmas se encontra muito mais próximo de nós e há décadas intriga os cientistas, já que contradiz completamente a lógica. Como é possível que a coroa solar, a camada mais externa do sol, seja mais quente que a própria superfície?

Por incrível que pareça, enquanto a crosta solar tem uma temperatura de 5.500° C, aproximadamente, a coroa pode alcançar milhões de graus. Decifrar esse mistério se tornou um objetivo-chave no trabalho dos astrofísicos, já que a influência do Sol sobre a Terra é muito grande, e os ventos solares podem afetar as telecomunicações, os satélites, os aviões e inclusive os sistemas elétricos.

O vento solar e suas partículas liberadas como jatos explosivos são um problema de segurança nacional em alguns países, e os cientistas concluíram que há algo que aquece a coroa, mas o que é? A explicação parece ser a "reconexão magnética", um fenômeno teoricamente descrito pelo astrofísico Eugene Parker, mas que ele nunca poderia provar. Agora, a tecnologia de hoje provou que Parker estava certo.

O astrofísico franco-colombiano Patrick Antolin Tobos e sua equipe da Universidade de Northumbria, em Newcastle, descobriram os “nanojatos”, uma série de pequenas, mas numerosas explosões na atmosfera do Sol. Ao observar imagens de satélites, os cientistas concluíram que os nanojatos podem ter até 500 quilômetros de largura e 1.500 quilômetros de comprimento.  Além disso, eles verificaram como a temperatura de uma das seções solares aumentou enquanto o fenômeno ocorria. Eles comprovaram que em um intervalo de 10 minutos a estrutura esquentou milhões de graus. 

Segundo Tobos, Parker estava certo: o campo magnético da coroa se retorce e se reconfigura. Quando isso acontece, o Sol libera uma energia equivalente à de 2.000 bombas nucleares como as de Hiroshima. É um fenômeno que dura menos de 10 segundos e que é produzido a uma velocidade de 500.000 quilômetros por hora. “O campo magnético molda a coroa solar e a aquece. Existem linhas de campo magnético em todos os lugares e elas estão ancoradas no Sol. Isso significa que estão constantemente sendo movidas de um lado para o outro. São como cordas amarradas ao Sol”, afirmou.


Fonte: BBC 

Imagens: Shutterstock.com, Nature astronomy e NASA/Johns Hopkins Apl/Steve Gribben