MULHERES CIENTISTAS

Brasileira é a segunda mulher a ganhar prêmio internacional para jovens matemáticos

Carolina Araujo, pesquisadora do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA), é a primeira mulher brasileira e segunda do mundo a conquistar o Ramanujan Prize, prêmio internacional de matemática concedido a jovens matemáticos de países em desenvolvimento. Ela foi reconhecida por sua pesquisa em geometria algébrica e, mais especificamente, pelas aplicações que apresentou na geometria birracional e na teoria dos raios extremos. 

“É uma grande honra receber o Prêmio Ramanujan. Fico muito feliz com o reconhecimento do meu trabalho como cientista de forma integral – tanto pela minha pesquisa matemática, como pelo meu comprometimento com a comunidade científica e a sociedade”, afirmou a pesquisadora. Além do reconhecimento, os vencedores do prêmio também recebem um valor de US$ 15 mil. 

Carolina, que é vice-presidente do Comitê para Mulheres na Matemática da União Internacional de Matemática (IMU, na sigla em inglês), também foi reconhecida por sua participação ativa em questões de gênero da área. “A matemática é uma paixão minha. Atuar por uma ciência diversa e inclusiva é, para mim, um imperativo ético-social. Dedico a estas frentes grande parte do meu tempo e da minha energia, de corpo e alma. É um tremendo incentivo ter este trabalho reconhecido”, disse.

"A Carolina é uma excelente pesquisadora, que pratica uma matemática elegante e difícil, com muito sucesso. O Prêmio Ramanujan é o merecido reconhecimento do seu talento. E para nós do IMPA é um orgulho ainda maior por vir na sequência do Prêmio da União Matemática da América Latina, ganho alguns dias atrás pela nossa colega Luna Lomonaco. Isso mostra bem a excelência da ‘bancada feminina’ do IMPA”, afirmou Marcelo Viana, diretor-geral do IMPA.

O próprio Marcelo Viana já conquistou o Ramanujan Prize anteriormente.  Além dele e de Carolina, os pesquisadores Enrique Pujals (IMPA), Fernando Codá (IMPA) e Eduardo Teixeira (Universidade Federal do Ceará),  foram os outros brasileiros a conquistar o prêmio. A única mulher agraciada com a distinção até então tinha sido a indiana Sujatha Ramdorai, em 2006.

Criado em 2005, o Ramanujan Prize é entregue anualmente a pesquisadores de países em desenvolvimento com menos de 45 anos que conduziram trabalhos notáveis em qualquer área da matemática. O prêmio é concedido pelo Centro Internacional Abdus Salam de Física Teórica, a União Internacional de Matemática e o Departamento de Ciência e Tecnologia do Governo da Índia. A premiação leva o nome do matemático indiano Srinivasa Ramanujan (1887 – 1920), retratado no filme “O Homem que Viu o Infinito” (2016).


Fonte: IMPA

Imagem: IMPA/Divulgação