ESPIRITISMO

A ciência está descobrindo por que algumas pessoas dizem ouvir os mortos

Um novo estudo, de autoria dos psicólogos Peter Moseley e Adam Powell, identificou traços que podem fazer alguém a ser mais propenso a dizer que ouve vozes dos mortos. Participaram da pesquisa 65 médiuns da Associação Nacional dos Espíritas do Reino Unido e 145 pessoas do público em geral. Os cientistas querem entender melhor as diferenças e semelhanças entre esse tipo de experiência e os sintomas vivenciados por pacientes com patologias como a esquizofrenia.

O estudo descobriu que médiuns são mais propensos do que o resto das pessoas a vivenciarem atividades mentais imersivas e imaginativas, bem como a relatarem estados alterados de consciência (também conhecidos como "absorção"). Além disso eles frequentemente passam por experiências auditivas incomuns ou alucinações sonoras na infância. Os resultados sugerem que algumas pessoas realmente vivenciam experiências auditivas incomuns, mas não se sabe por que elas identificam essas vozes com os espíritos dos mortos.



Segundo os pesquisadores, os resultados podem ajudar a entender melhor as alucinações auditivas que acompanham doenças mentais como a esquizofrenia. A clarividência e a clariaudiência – capacidades de ver ou ouvir algo sem estímulo externo, atribuídas aos espíritos dos mortos – são de grande interesse tanto para os antropólogos que observam experiências religiosas e espirituais, como para os cientistas que trabalham com patologias alucinatórias.

Os pesquisadores tentam descobrir por que centenas de indivíduos relacionam essas experiências com a espiritualidade, enquanto outras desenvolvem sintomas angustiantes, o que geralmente leva a diagnósticos de doenças mentais. "Os espíritas tendem a relatar experiências auditivas incomuns positivas, que começam na infância e que muitas vezes podem ser controladas. Entender como isso se desenvolve é importante para nos ajudar também a entender melhor as experiências angustiantes ou não controláveis de audição de vozes", explicou Moseley, da Universidade Northumbria, no Reino Unido.




Fontes: Forbes, Science Alert e The Conversation

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