Dinossauros

Cientistas brasileiros fazem descoberta inédita de parasita em osso de "dinossauro zumbi"

Ao analisar os fósseis de um dinossauro que viveu há cerca de 80 milhões de anos na região noroeste de São Paulo, cientistas brasileiros fizeram uma descoberta inédita. Pela primeira vez, foi identificado um parasita sanguíneo no interior do osso de um desses animais pré-históricos. Anteriormente, esses organismos só haviam sido encontrados dentro de insetos preservados em âmbar ou em fezes fossilizadas.

O primeiro passo para a descoberta aconteceu quando a cientista Aline Ghilardi da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) notou caroços esponjosos em um dos ossos do animal, um titanossauro. Após o osso ser submetido a uma tomografia computadorizada (conduzida por Tito Aureliano, da Unicamp), descobriu-se que o dinossauro sofria de osteomielite aguda. Essa infecção pode causar deformações nos ossos e até hoje atinge animais e humanos.

De acordo com os pesquisadores, o dinossauro apresentava a doença em estágio grave. Segundo Aurereliano, a osteomielite deveria causar muita dor ao animal, que era idoso. Além disso, a condição levava à formação de caroços e feridas superficiais. Por isso os cientistas imaginam que esse titanossauro tivesse um aspecto decrépito, motivo pelo qual eles o apelidaram de "dino-zumbi".

Os cientistas também fizeram uma biópsia do material para estudar o desenvolvimento da doença. Foi aí que a paleontóloga Fresia Ricardi-Branco, da Unicamp, detectou a presença de um microfóssil no interior dos canais vasculares do osso do dinossauro. Depois disso, Aureliano encontrou mais de dez micro-organismos fossilizados.

Em seguida, a paleoparasitóloga Carolina Nascimento, da UFSCar, conseguiu detectar mais de 70 microorganismos similares preservados dentro do osso do titanossauro, determinando que eles eram algum tipo de parasita sanguíneo. Mas os pesquisadores ainda não sabem se foram os parasitas que causaram a osteomielite ou se a doença causou a presença deles. Isso porque também foi encontrada uma colônia de bactérias no fóssil. Mais estudos são necessários para desvendar essa questão. Segundo Ghilardi, a pesquisa será importante para o avanço da compreensão da osteomielite na medicina atual e no tratamento em humanos.


Fontes: G1 e Folha de S.Paulo

Imagens: Hugo Cafasso/Reprodução