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Como são os bunkers comprados por bilionários que esperam sobreviver ao fim do mundo

Durante a Guerra Fria, o perigo de uma guerra nuclear causava pânico nos Estados Unidos. A partir dos anos 1950, por todo o país começaram a ser construídos abrigos particulares destinados a proteger seus proprietários de um potencial apocalipse atômico. Na década de 1990, com o fim da URSS, esses bunkers entraram em declínio, mas parece que eles estão voltando à moda, ao menos para bilionários.

De acordo com uma reportagem do jornal El País, a crise do coronavírus, as mudanças climáticas e o medo do terrorismo são fatores que estão levando bilionários a investirem em bunkers que os protejam do fim do mundo. A The Vivos Group, empresa especializada na construção desses abrigos, observa um boom na demanda por esse tipo de serviço. Dance Vicino, diretor-executivo da companhia, afirma que há um aumento de 400% ao ano nas vendas de bunkers.

O investimento em bunkers faz parte de uma tendência chamada survivalism (ou "sobrevivencialismo"). Os sobrevivencialistas se preparam para emergências drásticas de ordem política ou social. Eles procuram se antecipar a esses acontecimentos por meio do armazenamento de mantimentos, treinamentos de autodefesa e autossuficiência, além da construção de abrigos para sobreviver a catástrofes.

O temor de algum colapso no sistema está fazendo com que CEOs de empresas de tecnologia e investidores da bolsa de valores adotem o estilo de vida sobrevivencialista. Reid Hoffman, cofundador do LinkedIn, declarou à revista New Yorker que estima que cerca de 50% dos bilionários do Vale do Silício já possuam um bunker.

O The Vivos Group já construiu uma vila de apartamentos subterrâneos chamada xPoint, em Dakota do Sul, nos Estados Unidos. O local, que fica em uma antiga base do Exército dos EUA, é classificado como "a maior comunidade de sobrevivência da Terra". Seu terreno tem quase o tamanho de Manhattan. A empresa nega que seus clientes sejam apenas da elite. O preço de cada unidade na xPoint fica em torno de US$ 35 mil (cerca de R$ 185 mil), mais US$ 1000 de aluguel anual.


Fonte: El País

Imagens: The Vivos Group/Reprodução