Revolta da Vacina

Conheça os motivos que causaram a Revolta da Vacina contra a imunização obrigatória

A pandemia de COVID-19 provocou uma corrida entre cientistas para desenvolver uma vacina contra a doença. A substância ainda nem está disponível, mas a possibilidade de a vacinação se tornar obrigatória já rende discussões pelo Brasil. Não é a primeira vez que isso gera polêmica: há 116 anos, o centro do Rio de Janeiro virou um campo de batalha entre a polícia e a população que se revoltou devido à obrigatoriedade da imunização contra a varíola.


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 Ao assumir a presidência, em 1902, Rodrigues Alves definiu como meta governamental o saneamento e a reurbanização do Rio de Janeiro, então capital da República. O projeto de reformas urbanas foi liderado pelo prefeito Pereira Passos, enquanto as campanhas de saneamento ficaram sob responsabilidade do médico Oswaldo Cruz. Quando assumiu a Diretoria Geral de Saúde Pública, Cruz instituiu uma campanha que visava erradicar a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. 

Em 31 de outubro de 1904, o governo aprovou a lei da vacinação obrigatória contra a varíola, planejada pelo próprio Oswaldo Cruz. O estopim da revolta foi a publicação do projeto de regulamentação da aplicação da vacina obrigatória no jornal A Notícia, em 9 de novembro de 1904. O projeto exigia comprovantes de vacinação para a realização de matrículas nas escolas, para obtenção de empregos, viagens, hospedagens e casamentos. Previa-se também o pagamento de multas para quem resistisse à vacinação. 

Pela lei, as brigadas sanitárias, acompanhadas por policiais, poderiam entrar nas casas e aplicar a vacina à força. A medida provocou revolta na população, que já estava insatisfeita com o chamado "bota-abaixo", política de reurbanização promovida por Pereira Passos que incluía a derrubada de cortiços e o consequente despejo de seus moradores.

A resistência popular contra a vacina começou com uma manifestação estudantil e foi aumentando, chegando ao ponto de, no dia 13 de novembro daquele ano, tomar uma proporção que transformou o centro do Rio de Janeiro em praça de guerra. A população, que não tinha plena informação de como seria o processo de aplicação da vacina, depredou lojas, incendiou bondes, quebrou postes e atacou a polícia com pedras, paus e pedaços de ferro. 


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Por conta da revolta, o governo suspendeu a obrigatoriedade da vacina e declarou estado de sítio no dia 16 de novembro. Ao final da revolta, 30 pessoas haviam morrido e outras 110 ficado feridas. Depois, com a situação sob controle, o processo de vacinação foi reiniciado. Em pouco tempo, a varíola foi erradicada da então capital do Brasil.  

 


Imagens:  Domínio Público, via Wikimedia Commons