pré-história

Descoberta aponta grande presença de mulheres caçadoras na América pré-histórica

Em 2018, arqueólogos encontraram na região andina do Peru os restos mortais de uma mulher enterrada há cerca de 9 mil anos. Pelos artefatos que estavam em seu túmulo, os pesquisadores concluíram que ela é a caçadora mais antiga das Américas. Após essa descoberta inicial, os especialistas localizaram várias sepulturas semelhantes, indicando que a participação feminina em caçadas era muito mais comum do que se imaginava.

O estudo, publicado na revista Science Advances, foi liderado pelo arqueólogo Randall Haas, da Universidade da Califórnia em Davis, nos Estados Unidos. De acordo com a pesquisa, dos grupos nômades que habitaram as Américas há milhares de anos, até metade de seus caçadores poderiam ser mulheres. Junto com os restos mortais da caçadora mais antiga das Américas, foram encontrados quatro pontas de lança, além de instrumentos de pedra e madeira provavelmente usados para cortar caça, extrair medula óssea ou retirar as peles de animais.

Para entender melhor a extensão da participação de mulheres em caçadas, a equipe de Haas estudou evidências de 429 indivíduos enterrados em 107 locais nas Américas do Norte, Central e do Sul. Esses sítios arqueológicos têm entre 6.000 e 12.500 anos. Nem sempre foi possível determinar o sexo desses indivíduos. Dentre os que puderam ser identificados e que foram encontrados enterrados junto com ferramentas de caça, 11 eram mulheres de 10 locais diferentes, enquanto 16 eram homens de outros 15 lugares.

Levando em conta esse conjunto de dados limitado, os pesquisadores estimam que, em média, as mulheres representavam entre 30% e 50% dos antigos caçadores americanos. “É hora de parar de pensar nas [antigas] caçadoras de animais de grande porte como exceções”, disse a arqueóloga Ashley Smallwood, da Universidade de Louisville, em Kentucky.


Fontes: IFLScience e Science News

Imagens: Matthew Verdolivo/Uc Davis Iet Academic Technology Services/Reprodução e Randall Haas/ Universidade da Califórnia em Davis/Reprodução, via Science Advances