VIA LÁCTEA

Descoberta inquietante: misteriosa estrutura se expande acima e abaixo da Via Láctea

Por: HISTORY Brasil

O primeiro mapa do céu produzido pelo Telescópio Espacial eRosita, equipamento que faz parte do observatório orbital russo Spektr-RG, revelou que existe uma grande estrutura em forma de ampulheta que se expande acima e abaixo do plano galáctico da Via Láctea. De acordo com os pesquisadores, ela é composta por duas bolhas gigantes de gás quente. Sua origem ainda é um mistério, mas os astrônomos suspeitam que seu surgimento pode ser traçado a uma explosão de energia no Sagittarius A*, buraco negro que fica no centro de nossa galáxia.

Essas "bolhas de eRosita", como foram batizadas, formam um par que se encontra no centro galáctico. Elas são tão enormes que envelopam as já conhecidas bolhas de Fermi (dois enormes fluxos de gás altamente energéticos), descobertas há uma década. De acordo com uma equipe de astrofísicos liderada por Peter Predehl, do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, é provável que os dois fenômenos estejam ligados de alguma forma.




As bolhas de eRosita (em amarelo) envolvem as bolhas de Fermi (em lilás)

A origem das estruturas circulares de gás quente em ambos os lados do plano galáctico detectadas pelo telescópio eRosita, teria sido uma explosão poderosa originada no buraco negro situado no centro de nossa galáxia. Embora adormecido agora, o Sagittarius A* poderia muito bem ter estado ativo no passado, sendo capaz de gerar algo parecido. Segundo os cientistas, a energia necessária para alimentar a formação dessas bolhas enormes seria equivalente à explosão de 100 mil supernovas.

A descoberta ajudará os astrônomos a entender o ciclo cósmico da matéria dentro e ao redor da Via Láctea e outras galáxias. A maior parte da matéria comum (bariônica) do Universo é invisível aos nossos olhos, com todas as estrelas e galáxias que observamos com telescópios ópticos compreendendo menos de 10% de sua massa total. "Isso significa que a porta está aberta para estudar a abundância de elementos químicos, o grau de sua ionização, a densidade e temperatura do gás emitido pelas bolhas, além de identificar os locais das ondas de choque e estimar escalas de tempo”, disse Rashid Sunyaev, cientista chefe do Observatório Spektr-RG.




Fontes: Instituto Max Planck de Física Extraterrestre e Science Alert

Imagens: Shutterstock.com e Instituto Max Planck de Física Extraterrestre/Divulgação