MAIAS

Destroços de navio usado para traficar maias escravizados são encontrados no México

Uma história pouco conhecida ressurgiu após a descoberta dos destroços de um navio no México. A embarcação, chamada "La Unión", era usada no tráfico de pessoas escravizadas da etnia maia. Segundo os pesquisadores, o naufrágio aconteceu em 1861. Foi a primeira vez que um barco do tipo foi encontrado.

A origem desse episódio de escravidão está em uma rebelião conhecida como Guerra das Castas de Yucatán (1847-1901). Durante esse conflito, os maias se rebelaram contra a população de brancos descendentes de europeus que mantinham o controle político e econômico local. Os maias capturados pelos detentores do poder eram levados para atuar como mão de obra escrava em fazendas de cana-de-açúcar em Cuba.

A escravidão era ilegal no México na época, mas isso não impedia que traficantes agissem contra a lei. Um ano antes de seu naufrágio, o vapor La Unión já havia sido flagrado carregando 29 maias, entre eles meninos e meninas de idades que variavam entre 7 e 10 anos. “Cada escravo era vendido por até 25 pesos a intermediários, e podiam ser revendidos em Havana por até 160 pesos, homens, e 120 pesos, mulheres”, afirmou a arqueóloga Helena Barba Meinecke.

Helena conta que não apenas maias capturados eram escravizados. Ela diz que muitos deles, que haviam perdido suas terras por causa das guerras, eram enganados. Figuras conhecidas como “enganchadores” procuravam os maias com documentos falsos para fazê-los acreditar que iriam para Cuba como colonos, onde teriam terras e poderiam fazer dinheiro.

O La Unión afundou em 19 de setembro de 1861. Metade dos 80 tripulantes e 60 passageiros morreram no naufrágio. Mas esse número não inclui os maias escravizados, uma vez que não eram considerados pessoas, mas mercadoria. Portanto, não se sabe quantos deles morreram. Após a tragédia, o governo do México passou a fiscalizar de forma mais rigorosa o tráfico ilegal de escravos. Confira abaixo imagens do navio naufragado:


Fonte: Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH)

Imagens: Helena Barba/Instituto Nacional de Antropología e Historia (INAH)/Divulgação