egito antigo

Estudo revela segredos por trás de misterioso retrato de uma múmia egípcia de 2 mil anos

Um grupo de pesquisadores examinou as partículas de um pigmento roxo do retrato de uma múmia egípcia de quase 2 mil anos. Apesar de ter o o diâmetro parecido com o de um fio de cabelo, a amostra pode ajudar a compreender o significado e a origem das pinturas do Egito antigo. A análise é capaz de revelar até mesmo informações sobre os artistas responsáveis por essas obras.

Como base do estudo, os especialistas utilizaram a pintura “Retrato de um Homem Barbudo”, datada do século II d.C., quando o Egito ainda era uma província romana. Os retratos daquela época são mais realistas e menos estilizados do que a arte egípcia mais antiga, como a encontrada no sarcófago dourado de Tutancâmon. A maioria desses retratos vem de uma região chamada Faiyum. Eles eram pintados em madeira e embrulhados nos lençóis que seguravam o corpo mumificado. "Estamos muito interessados em compreender o significado e a origem dos retratos e chegar a um entendimento cultural das razões pelas quais eles foram pintados", disse Darryl Butt, pesquisador da Universidade de Utah e um dos líderes do estudo.

Com o pequeno pigmento analisado, os pesquisadores puderam determinar sua composição. No passado, as tinturas roxas vinham de uma glândula que os caracóis do mar do gênero Murex possuem. No entanto, os especialistas descobriram que a pintura do retrato analisado era sintética; o corante teria sido misturado com argila ou um material de sílica para ser formado. Além disso, foram encontradas grandes proporções de chumbo no pigmento. O achado foi relacionado com as observações de um explorador britânico do final do século XIX, que relatou que os baldes de tinta nas oficinas egípcias eram feitos desse material.

Esse tipo de análise de pigmentos em nível atômico poderia trazer um traço químico importante para vincular os retratos entre si e confirmar se a mesma pessoa pintou vários deles. Os especialistas afirmaram que o estudo também pode ajudar a descobrir conexões entre as famílias das pessoas retratadas e os artistas que produziram suas imagens. 


Fontes: La Nación e Universidade de Utah

Imagens: Darryl Butt/Universidade de Utah/Reprodução