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Governo francês quer ajuda para comprar manuscrito do "livro mais depravado da História"

Por: HISTORY Brasil

Em 1785, o notório Marquês de Sade escreveu "Os 120 Dias de Sodoma" enquanto estava preso na Bastilha, em Paris. A obra, que conta a história das perversões sexuais de quatro libertinos, foi chamada pelo próprio autor de "o livro mais depravado da História". Agora, o governo francês quer ajuda da iniciativa privada para comprar o manuscrito original, avaliado em €4,5 milhões (cerca de R$ 30 milhões).

Quando "Os 120 Dias de Sodoma" foi escrito, o Marquês de Sade cumpria pena após ter sido acusado de uma série de escândalos sexuais. Tendo pouco material e temendo que o livro fosse confiscado, ele escreveu o texto com letras pequeninas em um rolo contínuo de papel com doze metros de comprimento. Após finalizá-lo, o autor escondeu o manuscrito em uma fresta na parede de sua cela.



Dez dias antes de a Bastilha ser invadida durante a Revolução Francesa, em 1789, o Marquês de Sade foi transferido para um hospício e teve que deixar o manuscrito para trás. Milagrosamente a obra sobreviveu ao ataque e permaneceu nas mãos de uma família de aristocratas por mais de 100 anos. Mais tarde, o livro foi vendido a um colecionador alemão, que permitiu sua publicação pela primeira vez em 1904.

O manuscrito foi adquirido por descendentes do Marquês em 1929, mas foi roubado em 1982 e vendido para um colecionador de literatura erótica. Em 2014, foi adquirido por uma fundação privada e exposto em Paris. Três anos depois, o ministro da cultura da França classificou o texto original como tesouro nacional e proibiu a sua exportação depois que foi leiloado. Agora, o governo do país pede a ajuda de empresas privadas para ajudar na aquisição do pergaminho. Entre os benefícios oferecidos, está a redução nos impostos de quem financiar a compra.


Fonte: The Guardian



Imagem: Domínio Público, via Wikimedia Commons