RELIGIÃO

Livro de Enoque: o misterioso texto que ficou de fora da Bíblia

O Livro de Enoque é um dos antigos textos religiosos mais misteriosos de todos os tempos. Contendo profecias e revelações, sua autoria é atribuída ao ancestral de Noé que dá título à obra. Algumas pessoas acreditam que esses escritos não foram incluídos na Bíblia por revelarem segredos místicos sobre os mistérios da criação.

A única versão completa existente do Livro de Enoque é uma tradução etíope de uma versão grega anterior feita na Palestina a partir do hebraico ou aramaico. Estima-se que os trechos mais antigos do texto foram escritos por volta de 300–200 a.C., enquanto a última parte provavelmente seja datada do ano 100 a.C. A obra traz histórias de anjos caídos, gigantes canibais, além de revelações sobre o fim do mundo.



Enoque aparece no livro de Gênesis como o sétimo patriarca. Durante o período helenístico do judaísmo (século III a.C ao século III d.C.), ele foi tema de diversos textos apócrifos. Vários fragmentos aramaicos encontrados nos Manuscritos do Mar Morto são prova de que o Livro de Enoque era conhecido por judeus e pelos primeiros cristãos. Os autores do Novo Testamento inclusive estavam familiarizados com parte do conteúdo da história.

A primeira parte do Livro de Enoque descreve a queda dos Vigilantes, os anjos que geraram os híbridos humano-angelicais chamados Nefilins. O restante do livro descreve as visitas de Enoque ao céu na forma de viagens, visões e sonhos, além de suas revelações apocalípticas.  A maioria dos estudiosos acredita que as primeiras cinco seções eram originalmente obras independentes que foram compiladas mais tarde.



A primeira parte fala sobre a queda dos anjos, que se rebelaram antes do Dilúvio, e descreve as viagens celestiais de Enoque, nas quais segredos divinos foram revelados a ele. A segunda parte contém três sermões sobre o apocalipse, além de citar a vinda do Messias. A terceira seção trata de mistérios astronômicos mostrados a Enoque pelo anjo Uriel. O quarto tratado contém duas visões de Enoque sobre a origem do mundo e o Dilúvio. Já o quinto traz advertências morais à família de Enoque.

Inicialmente, o Livro de Enoque era aceito na Igreja Cristã, mas posteriormente foi excluído do cânone bíblico. Sua sobrevivência se deve ao fascínio de grupos cristãos marginais e heréticos, como os maniqueus, que cultivavam uma mistura sincrética de elementos iranianos, gregos, caldeus e egípcios. 

Mas, a partir do século IX o livro praticamente desapareceu, pelo menos do Ocidente. Apesar disso, ele permaneceu canônico na igreja cristã etíope. Em 1773 o viajante James Bruce levou para a Europa cópias do texto etíope. Depois de sua tradução, a obra voltou a despertar interesse do mundo ocidental.


Fontes: BritannicaGrunge.com

Imagens: William Blake  (1757–1827) e Gerard Hoet (1648–1733), via Wikimedia Commons