GRÉCIA ANTIGA

Mistério: por que os gregos antigos não enxergavam a cor azul?

Textos clássicos dizem que o céu tinha coloração de bronze e que a tonalidade do mar era de "vinho escuro"
Por: HISTORY Brasil

Mesmo parecendo estranho, em algum momento da história a cor azul parecia não existir.  Pesquisando alguns dos textos mais antigos da humanidade, como a Odisseia e a Ilíada, não há referências a essa coloração. Será que os gregos realmente não reconheciam tons azulados?

Azul, a cor mais misteriosa

Além dos gregos, algumas civilizações passadas, como os chineses e os hebreus, também não descreviam o azul em seus textos clássicos. Na verdade, em muitas de suas representações literárias e culturais, como nas obras de Homero, o céu tem “cor de bronze” e o mar apresenta uma coloração de “vinho escuro”.



Isso quer dizer que antes de existir o conceito de azul, as pessoas não conseguiam enxergar essa cor? Não exatamente. Pesquisadores acreditam que antes que o azul se tornasse um conceito comum, talvez ele fosse visto por humanos, mas parece que eles não sabiam descrever o que estavam vendo.

Um pesquisador chamado Lazarus Geiger resolveu investigar quando a palavra "azul" começou a aparecer em diferentes idiomas e encontrou um padrão estranho em todo o mundo. Em textos antigos das línguas pesquisadas, ele descobriu que primeiro surgiram palavras para descrever as cores preta e branca (ou escuro e claro). Depois, começava a surgir a palavra "vermelho", a cor do sangue e do vinho.



Depois do vermelho, historicamente, o amarelo aparece e, posteriormente, o verde. A última dessas cores a aparecer em todos os idiomas é o azul. A única cultura antiga a desenvolver uma palavra para o azul foi a egípcia. Curiosamente, eles também eram o único povo da antiguidade que sabia produzir corantes azuis.

Recentemente, um grupo de cientistas realizou um experimento com uma tribo da Namíbia que também não possui a palavra “azul” em sua linguagem. Colocaram diante de seus membros 11 quadrados verdes e um azul e, para a surpresa dos especialistas, eles não conseguiram saber qual peça não se encaixava no padrão Ou seja, eles não eram capazes de diferenciar o verde do azul.

Jules Davidoff, pesquisador que realizou a experiência, acredita que quando não existe uma palavra para uma cor em um idioma, é muito mais difícil percebê-la. Embora os olhos dos participantes estivessem vendo fisicamente os blocos da mesma maneira que as pessoas familiarizadas com o conceito de azul enxergam a cor, essa percepção era alterada pela falta de um termo que a definisse.

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Fonte: Business Insider

Imagens: iStock