MULHERES

Mulher presa por votar em 1872 é perdoada quase 150 anos depois nos EUA

Em 1872, Susan B. Anthony foi presa nos Estados Unidos por um motivo que hoje soa absurdo. Seu crime foi votar, quando isso era proibido para mulheres. Agora, mais de 150 anos depois, ela foi perdoada por meio de um indulto presidencial.

Professora e escritora, Susan se destacou desde cedo pelo ativismo social. Em 1837, com apenas 17 anos, ela começou a organizar e recolher petições contra a escravidão nos Estados Unidos. Ao longo do tempo passou a dedicar-se a causas como a luta pelos direitos das mulheres, o sufrágio feminino e universal, a igualdade jurídica e salarial, o direito à independência financeira para as mulheres casadas, entre outros.

Desafiando as leis que proibiam as mulheres de votar, em 1872 ela se registrou como eleitora no pleito presidencial daquele ano. No dia das eleições, ela e outras 14 colegas convenceram os fiscais eleitorais e conseguiram votar, citando a 14ª Emenda da Constituição, que afirma o seguinte: "Nenhum Estado criará ou aplicará qualquer lei que restrinja os privilégios ou imunidades dos cidadãos dos Estados Unidos". Dias depois, elas foram presas, acusadas de votar ilegalmente.

Elas foram soltas em seguida, mas Susan foi submetida a um julgamento que repercutiu muito na época. Antes de ser julgada, ela viajou por 29 cidades para apresentar um discurso escrito por ela, intitulado "É crime uma cidadã dos EUA votar?". No texto, ela defendia veementemente o sufrágio universal. “Fomos nós o povo, não 'nós, os brancos', ou 'os homens', nem 'nós, os cidadãos masculinos', mas nós, todo o povo, que formamos esta União”, afirmava.

Susan acabou condenada a pagar uma multa de US$ 100, o que se recusou a fazer. "Resistir à tirania é obedecer a Deus", afirmou no fim do julgamento, que ela classificou como "o maior ultraje judicial da história". Susan morreu aos 86 anos, em 1906. A emenda constitucional que permitia o voto feminino nos EUA foi aprovada 14 anos depois.

O perdão, concedido pelo presidente Donald Trump, gerou algumas reações negativas por parte de pessoas que admiram Susan, pois acreditam que ela não aceitaria o indulto. Kathy Hochul, vice-governadora do Estado de Nova York chegou a pedir que o perdão fosse anulado. "Ela se orgulhava de ter sido presa por chamar a atenção para a causa dos direitos das mulheres e nunca pagou a multa. Deixa-a descansar em paz, @realDonaldTrump", escreveu no Twitter.


Fontes: CNN e BBC

Imagem: Domínio Público, via Wikimedia Commons