mistério

O Flautista de Hamelin: as terríveis histórias que podem estar por trás da lenda

Por: HISTORY Brasil

A lenda do Flautista de Hamelin é uma das mais conhecidas em todo o mundo. Segundo a história, o famoso músico foi contratado para libertar uma cidade alemã de uma terrível praga de ratos. Para isso, ele utilizaria as notas hipnóticas de sua flauta mágica. No entanto, os roedores não foram os únicos atraídos pela melodia.

De acordo com a tradição popular, a cidade de Hamelin se negou a pagar ao flautista pelo seu serviço e assim ele decidiu se vingar: atraiu com sua música todas as crianças do lugar. Encantados pelas notas, os mais jovens seguiram o músico para fora da cidade e simplesmente desapareceram. Com o tempo, a história se espalhou por todos os continentes, passando a simbolizar um medo primordial no qual o flautista representa um espírito de sedução e perda que continua a nos assombrar.



Mas há algum fundo de verdade nessa lenda fascinante? Provavelmente o relato é baseado em algum incidente histórico que deixou evidências nas próprias paredes de Hamelin. Uma placa na fachada de uma casa dá uma pista: "Em 26 de junho de 1284, no dia de São João e São Paulo, 130 crianças nascidas em Hamelin foram retiradas da cidade por um flautista vestido com roupas multicoloridas. Depois de passar o Calvário perto de Koppenberg, elas desapareceram para sempre". Além disso, uma anotação nos registros da cidade, datada de 1384, diz que "já se passaram 100 anos desde que nossos filhos partiram".

Uma das teorias levantas por historiadores sugere que os jovens da cidade fizeram parte da migração à Europa do Leste, provocada por uma recessão econômica. O flautista seria então a pessoa responsável por recrutar a população jovem que deixaria a cidade. Esses recrutadores costumavam usar roupas coloridas e tocar flauta para chamar a atenção dos migrantes em potencial.



Embora alguns pesquisadores acreditem que essa população jovem tenham partido para a região romena da Transilvânia, outros, como o linguista Jürgen Udolph, defendem que eles migraram para outras regiões da Alemanha. Uma evidência disso é que alguns dos sobrenomes mais comuns em Hamelin aparecem frequentemente nas áreas de Uckermark e Prignitz, perto de Berlim, suposto centro dessa migração.

Outras hipóteses são mais sombrias. Uma delas sugere que os jovens de Hamelin estavam se dirigindo às festividades pagãs de verão quando uma facção cristã local os massacrou. Há quem diga também que tratou-se de um caso de histeria coletiva conhecido como "Dança de São Vito". Assim, os jovens teriam dançado até a morte. Outra teoria, menos sangrenta, diz que os garotos podem ter sido levados aos monastérios locais. Muito além dos mitos, a história do flautista é um patrimônio cultural reconhecido mundialmente.


Fonte: La Nación

Imagens: Shuttestock.com e Wikimedia Commons