HOMOSSEXUALIDADE

O imperador que mudou a visão da homossexualidade no Império Romano

A homossexualidade era um assunto complexo na Roma Antiga. Como não havia o conceito de homossexual na cultura romana, a aprovação de relacionamentos entre pessoas do mesmo gênero se baseava em fatores como o status social dos praticantes ou em seu papel de dominação ou submissão. Assim, o comportamento era relativamente bem aceito na sociedade. Mas tudo mudou quando Justiniano (482 - 565) esteve à frente do Império Bizantino e tentou reconstruir o Império Romano do Ocidente. Enquanto governou, ele condenou e perseguiu as práticas homossexuais.

Segundo o historiador Emilio Del Río, na Roma Antiga “a maioria dos homossexuais eram bissexuais e se apresentavam em público como tais”. Um claro exemplo é o de Júlio César (100 a.C. – 44 a.C), ao qual foi atribuída uma vida cheia de relacionamentos com homens e mulheres. Imperadores como Nero (37 – 68) e Adriano (76 - 138) também mantiveram relacionamentos com outros homens. Nero chegou até mesmo a casar com um de seus amantes. Mas a aceitação da sexualidade livre foi mudando com a chegada do cristianismo ao poder, e assim toda expressão de amor homossexual se tornou um tabu.

Durante esse período, o Império Romano entrou em uma crise que dividiu o território em duas partes: o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente (ou Império Bizantino). Justiniano, imperador cristão do Oriente, realizou inúmeras mudanças tanto no âmbito da política externa como dentro de suas fronteiras, impulsionando a conquista de territórios perdidos e fomentando a uniformidade religiosa no Império.

O código legal imposto por Justiniano reviveu uma lei do primeiro imperador romano, que condenava a morte dos cidadãos que praticavam a homossexualidade. Ele ordenou que os homens que fossem encontrados realizando práticas homossexuais fossem qualificados como pederastas e castigados com a castração. “A partir daquele momento, aqueles que experimentavam desejos por outros homens viveram sob terror”, afirma Del Río.


Fontes: El Español e ThoughtCo

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