MEMÓRIA

O que está por trás do déjà vu?

Você já leu esse texto antes? Uma nova pesquisa sugere que o fenômeno do déjà vu, em vez de criar memórias falsas, na verdade é uma forma muito correta de o cérebro manter a saúde.

A maneira inesperada com que o déjà vu se manifesta - de repente, do nada, você acha que já viveu aquilo antes - tornava muito difícil para a ciência estudar o fenômeno. Tanto que muita gente atribuía essas “memórias espontâneas” a uma coisa falsa. Mas uma pesquisa liderada por Akira O’Connor, da universidade britânica de St Andrews, conseguiu, em laboratório, desencadear um processo de déjà vu.

Trata-se de uma técnica comum de criação de falsas memórias. Disseram aos envolvidos uma lista de palavras relacionadas, como cama, travesseiro, noite e sonho - mas não a palavra ‘dormir’, ligada a tudo isso. Depois, quando a pessoa era indagada sobre o que ouviu, quase todas falaram ‘dormir’, ou seja, tiveram uma memória falsa.

O pulo do gato foi identificar, por meio de ressonância magnética, a parte do cérebro ativada nesse processo. O que se esperava é que o hipocampo, área do órgão ligada à memória, fosse ativado. Mas os pesquisadores viram que, na verdade, as áreas frontais do cérebro é que foram ativadas. Elas estão associadas ao processo de tomada de decisão.

Os resultados foram apresentados num congresso mundial sobre Memória realizado no mês passado na Hungria. A suspeita é que o cérebro faça, com o déjà vu, um saudável processo de checagem de nossas memórias – enviando esses sinais de alerta para verificar se há algum erro – provocando pequenos conflitos dentro de nossa cabeça.

Se os resultados da pesquisa forem confirmados, o déjà vu é um sinal de que o processo de checagem está funcionando bem e que quem sofre algo assim dificilmente se esquecerá de algo que realmente aconteceu no futuro.


Fonte: New Scientist
Imagem: Anekoho/Shutterstock.com