CHINA IMPERIAL

O que há de verdade por trás da lenda de Mulan, a poderosa guerreira chinesa

Muito antes de se popularizar como personagem de desenho animado, a poderosa guerreira Mulan inspirou gerações de jovens na China. Sua história tem origens milenares e não se sabe ao certo se ela existiu de verdade. Segundo a tradição, ela rompeu barreiras e conquistou respeito ao se juntar a um dos exércitos mais temidos do oriente. 

O primeiro relato a respeito da lendária figura aparece na canção folclórica chinesa “Balada de Mulan”, transcrita pela primeira vez no século VI.  Segundo a obra, o pai de Hua Mulan, que era velho e frágil, é convocado para lutar na guerra. Então, para protegê-lo, ela se disfarça de homem e se alista no exército no lugar dele. Com muita dedicação, ela consegue se tornar uma mestre do combate, aplicando seus conhecimentos de artes marciais. Após lutar durante 12 anos, oferecem a ela um cargo oficial, mas ela pede um camelo para levá-la de volta à sua família. Ao vestir-se com roupas mais femininas, seus companheiros soldados se dão conta de que é uma mulher.

Nos séculos seguintes, a história épica de Mulan foi recontada em inúmeras poesias, canções, peças de teatros e livros . Uma das obras de maior destaque protagonizada por ela é  o livro “O Romance de Sui Tang ”, publicado em 1695. Essa versão tem um fim trágico: a guerreira se suicida para não virar concubina do imperador. 

No decorrer dos anos, estudiosos sempre se questionaram se Mulan foi uma pessoal real. Até o momento, não há evidência histórica que compreve a existência dela. As raízes de sua história na tradição oral fazem com que seja ainda mais difícil confirmar se trata-se de uma pessoa real. Porém, essa possibilidade não pode ser descartada, já que as mulheres guerreiras e de elite desempenharam um grande papel na história da antiga China.

Durante o Período dos Estados Combatentes 475 a.C.- 211 a.C.), Sunzi, o comandante militar chefe do Duque Wu, treinou 180 mulheres da corte para reforçar a influência militar e política nos estados vizinhos. Uma figura real de destaque foi a princesa Zhao de Pingyang,  que reuniu tropas para ajudar seu pai, o futuro imperador Gaozu, a assumir o trono. Com o apoio de sua filha, o imperador conquistou a vitória e estabeleceu a Dinastia Tang. Após sua morte, em 623 d.C, ela foi a única mulher daquele período a ser homenageada com um funeral militar. 


Fonte: All That is Interesting

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