MEDICINA

A pele de tilápia do Ceará que poderá ajudar as vítimas da explosão no Líbano

A Universidade Federal do Ceará (UFC) é pioneira no tratamento que utiliza a pele de tilápia como um curativo biológico, auxiliando na cicatrização de pacientes com queimaduras. Agora, pesquisadores da instituição se mobilizam para enviar o material para ajudar as vítimas da explosão que atingiu Beirute, no Líbano. A tragédia no porto da cidade causou a morte de mais de 100 pessoas, além de ter deixado cerca de 5 mil feridos.

O objetivo dos pesquisadores do Projeto Pele de Tilápia é enviar um estoque de 40 mil centímetros quadrados de pele de tilápia para Beirute. Segundo a instituição, a doação só depende dos trâmites burocráticos envolvendo autoridades brasileiras e libanesas. Como o tratamento é experimental, ainda não autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o envio do material pode ter empecilhos.

Peixe nativo de águas doces, a tilápia é importante para a economia cearense. No processo de comercialização do peixe, porém, sua pele não é aproveitada, sendo geralmente descartada pelos produtores. Segundo os pesquisadores da UFC, o tratamento de queimados com a pele de tilápia tem tido muitos êxitos desde seu início em 2015. Além de ser utilizado em queimaduras, o material tem aplicação em feridas, cirurgias ginecológicas e medicina regenerativa.

Pesquisas da UFC indicam que a atadura feita com o material também ajuda a diminuir a dor, a evitar a perda de líquidos dos tecidos, a prevenir contaminações e a reduzir o número de troca de curativos. O tratamento, que já ocorre de forma experimental no Ceará e em outros estados brasileiros, está em fase de avaliação para ser utilizado no Sistema Único de Saúde (SUS).


Fontes: UFC e G1

Imagem: UFC/Divulgação