SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Por que os EUA lançaram a segunda bomba atômica em Nagasaki após Hiroshima?

Desde que os Estados Unidos lançaram uma segunda bomba atômica em Nagasaki, no Japão, em 9 de agosto de 1945, a pergunta persiste: era realmente necessário esse número de mortes e destruição para acabar com a Segunda Guerra Mundial?

Os líderes dos EUA aparentemente acreditavam que sim. Alguns dias antes, apenas 16 horas após o bombardeiro B-29 Enola Gay ter chocado o mundo lançando a primeira bomba atômica, conhecida como “Little Boy” na cidade japonesa de Hiroshima, a Casa Branca soltou um comunicado do presidente Harry S. Truman.

Além de apresentar ao mundo o programa secreto de pesquisa atômica conhecido como Projeto Manhattan, Truman redobrou a ameaça que suas armas nucleares representavam ao Japão, seu único adversário restante na guerra. Se os japoneses não aceitassem os termos de rendição incondicional elaborados pelos líderes Aliados na Declaração de Postdam, Trumam disse: “eles podem esperar uma chuva de destruição caindo do céu, como nunca foi vista antes neste planeta”.

Mas enquanto Truman divulgava sua declaração, um segundo ataque atômico já estava em andamento. De acordo com uma ordem elaborada no final de julho pelo tenente-general Leslie Groves, do Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, diretor do Projeto Manhattan, o presidente havia autorizado o lançamento de bombas adicionais nas cidades japonesas de Kokura (atual Kitakyushu), Niigata e Nagasaki assim que o clima permitisse.

Nagasaki não era o alvo original

Na manhã de 9 de Agosto de 1945, o B-29 conhecido como Bockscar decolou da ilha de Tinian, no oeste do Oceano Pacífico, carregando a bomba de cerca de 4,5 toneladas de plutônio conhecida como “Fat Man” em direção a Kokura, local que armazenava um grande arsenal japonês. Ao encontrar a cidade obscurecida pela cobertura de nuvens, a equipe do Bockscar decidiu ir para seu alvo secundário, Nagasaki.

A bomba "Fat Man", que foi detonada às 11:02, horário local, de uma altitude de cerca de 500 metros, matou cerca de metade do número de pessoas mortas pela "Little Boy", bomba de urânio lançada em Hiroshima três dias antes - apesar de uma força estimada em 21 quilotons, ou 40% maior. Ainda assim, o efeito foi devastador: quase 40 mil pessoas foram mortas instantaneamente e um terço da cidade foi destruído.

"Esta segunda demonstração do poder da bomba atômica aparentemente colocou Tóquio em pânico, pois na manhã seguinte houve a primeira indicação de que o Império Japonês estava pronto para se render", escreveu Truman mais tarde em suas memórias. Em 15 de agosto, o imperador Hirohito anunciou a rendição incondicional do Japão, encerrando a Segunda Guerra Mundial.

Justificativa oficial da bomba: salvar vidas nos EUA

De acordo com Truman e outros líderes do governo, o uso da bomba atômica pretendia interromper a guerra no Pacífico, evitando a invasão dos EUA pelo Japão e salvando centenas de milhares de vidas de cidadãos dos Estados Unidos.

No início de 1947, quando instado a responder a crescentes críticas ao uso da bomba atômica, o secretário de Guerra Henry Stimson escreveu na Harper's Magazine que em julho de 1945 não havia sinal de “qualquer enfraquecimento na determinação japonesa de lutar em vez de aceitar a rendição incondicional”. Enquanto isso, os EUA planejavam aumentar o bloqueio marítimo e aéreo do Japão, realizar mais bombardeios estratégicos e invadir a ilha japonesa em novembro.

"Estimamos que, se fôssemos forçados a abandonar esses planos, os grandes combates não terminariam até a última parte de 1946, no mínimo", escreveu Stimson. "Fui informado de que essas operações custariam mais de um milhão de baixas, apenas para as forças americanas".

O outro motivo? Chamar a atenção da União Soviética

Apesar dos argumentos de Stimson e outros, historiadores debatem há muito tempo se havia justificativa para os Estados Unidos usarem a bomba atômica no Japão - ainda mais duas vezes. Várias autoridades civis e militares disseram publicamente que os atentados não eram uma necessidade militar. Os líderes japoneses sabiam que haviam sido derrotados mesmo antes de Hiroshima, como argumentou o secretário de Estado James F. Byrnes em 29 de agosto de 1945, e procuraram os soviéticos para ver se eles poderiam mediar possíveis negociações de paz. Até o famoso general Hawk Curtis LeMay disse à imprensa em setembro de 1945 que "a bomba atômica não tinha nada a ver com o fim da guerra".

Declarações como essas levaram historiadores como Gar Alperovitz, autor de The Decision to Use the Atomic Bomb (“A Decisão de Usar a Bomba Atômica”, em tradução literal), a sugerir que o verdadeiro objetivo da bomba era obter vantagem com a União Soviética. De acordo com essa linha de pensamento, os Estados Unidos lançaram a bomba de plutônio em Nagasaki para mostrar a força de seu arsenal nuclear, garantindo a supremacia do país na hierarquia global de poder.

Outros argumentam que ambos os ataques eram simplesmente um experimento, para ver como funcionavam os dois tipos de armas atômicas desenvolvidas pelo Projeto Manhattan. O almirante William "Bull" Halsey, comandante da Terceira Frota da Marinha dos EUA, afirmou em 1946 que a primeira bomba atômica era "um experimento desnecessário ... [os cientistas] tinham esse brinquedo e queriam experimentá-lo, então o lançaram".

Foi necessário um segundo ataque nuclear para forçar a rendição do Japão? O mundo talvez nunca saiba. Por seu lado, Truman parecia estar convicto de que os ataques eram justificados - apesar de ter descartado futuros ataques a bomba sem sua ordem expressa no dia seguinte a Nagasaki. "Foi uma decisão terrível. Mas eu tomei", escreveu o 33º presidente mais tarde a sua irmã, Mary. "Consegui salvar 250 mil garotos dos Estados Unidos e o faria novamente em circunstâncias semelhantes".


Fonte: History.com

Imagens: Galerie Bilderwelt/Getty Images, via History.com