ARQUEOLOGIA

Rara cruz de prata encontrada na Escócia pode esclarecer relações entre vikings e cristãos

Por: HISTORY Brasil

Uma rara cruz de prata da Era Viking acaba de ser restaurada após ficar mais de mil anos enterrada na Escócia. Depois de meses de limpeza e recuperação, a peça parece nova. O artefato pode ajudar a entender melhor o relacionamento entre os vikings e os anglo-saxões do século IX.

O objeto é decorado em estilo anglo-saxão tardio, usando esmalte preto e folha de ouro. Em cada uma das pontas da cruz estão os símbolos que representam os quatro evangelistas do Novo Testamento: Mateus (o Homem), Marcos (o Leão), Lucas (o Touro) e João (a Águia). Os especialistas acreditam que ela teria sido usada por um membro de alto escalão da Igreja Cristã primitiva na Escócia.



O artefato faz parte de uma das maiores descobertas arqueológicas dos últimos anos no Reino Unido. O chamado Tesouro de Galloway, enterrado por volta do século IX, foi encontrado em 2014 e contém a mais rica coleção de objetos raros da Era Viking já encontrados na Grã-Bretanha. Além da cruz, o Tesouro continha pacotes de barras de prata, bem como pingentes, broches, contas de vidro, braceletes e outros objetos antigos.

"Podemos facilmente imaginar esta cruz sendo roubada de um clérigo cristão durante um ataque a uma igreja - um estereótipo clássico da Era Viking", disse Martin Goldberg, curador das coleções da Idade Média e Viking nos Museus Nacionais da Escócia. "Mas a complexidade desse tesouro nos força a reconsiderar qualquer conclusão simplista", salientou.



Segundo os pesquisadores, cruzes anglo-saxônicas do tipo são excepcionalmente raras. Apenas uma outra da mesma época, mas muito menos elaborada, já havia sido encontrada. "A descoberta desta cruz em um contexto tão notável é de grande importância para o nosso entendimento a respeito das interações entre vikings e anglo-saxões naquele período turbulento", disse Leslie Webster, curadora aposentada do Museu Britânico.


Fontes: Herald Scotland e Museus Nacionais da Escócia

Imagens: Museus Nacionais da Escócia/Divulgação