NAZISMO

Ratlines: rotas secretas ajudaram milhares de nazistas a fugir para a América do Sul

As rotas usadas por milhares de nazistas para fugir da Alemanha após o fim da Segunda Guerra Mundial ficaram conhecidas como "ratlines". Originalmente o termo tem origem naval: é assim que se chamam as escadas de cordas que levam ao mastro de um navio. Escalar até o ponto mais alto da embarcação era o último recurso de marinhos desesperados para evitar o afogamento em caso de naufrágio.

Assim, quando o Terceiro Reich afundou, nazistas de alta patente apelaram para ratlines simbólicas. Mas as fugas desses criminosos de guerra não foram improvisadas. Todas as viagens foram planejadas e organizadas por pessoas poderosas. Até mesmo a Igreja Católica e a Cruz Vermelha foram usadas para facilitar as fugas (às vezes de forma involuntária). Historiadores ainda debatem a extensão da colaboração de integrantes do Vaticano com as ratlines.

As três ratlines mais importantes cruzavam diferentes países europeus com um propósito específico: levar os fugitivos a portos para que eles escapassem de barco em direção a outro destino. A "rota nórdica" ia da Dinamarca à Suécia, a "rota ibérica", coordenada por nazistas residentes na Espanha, usava portos como o da Galícia; e a terceira ratline passava pela Itália, com destino à América do Sul. A Argentina foi o país que mais atraiu fugitivos nazistas.

De acordo com documentos revelados em 2012 por autoridades alemãs, cerca de 9 mil soldados e colaboradores do Terceiro Reich fugiram para a América do Sul após a guerra; 5 mil deles ficaram na Argentina, país que o famoso "caçador de nazistas" Simon Wiesenthal chamou de "Cabo da Última Esperança" para os nazistas. O Brasil acolheu de 1,5 mil a 2 mil criminosos de guerra, entre eles Josef Mengele, o cruel médico que ficou conhecido como "Anjo da Morte".


Fonte: BBC

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