SÍRIA

A surpreendente história do ditador sírio assassinado em Goiás

Adib Chichakli foi morto por um conterrâneo que estava em busca de vingança
Por: HISTORY Brasil

Em 27 de setembro de 1964, o pequeno município de Ceres, no interior de Goiás, se tornou palco de um acerto de contas internacional. Naquele dia, o ex-ditador da Síria Adib Chichakli, que havia se mudado para a cidade dois anos antes, morreu assassinado a tiros. O autor dos disparos foi um sírio sedento de vingança.

Golpe militar na Síria

Adib Chichakli era um militar de carreira do exército sírio que se tornou presidente em 1950, após um golpe militar. Em seu período com ditador, ele dissolveu os partidos políticos, fechou os jornais de oposição e bombardeou Jabal al-Arab, causando uma matança entre os drusos (grupo que segue uma religião derivada do islamismo, mas com identidade própria). Depois disso, militantes drusos juraram exterminar todos os Chichakli do sexo masculino.



Em 1954, Chichakli acabou deposto por outro golpe militar e fugiu para o exterior, tendo vivido no Líbano, França e Suíça. Após sofrer ameaças de morte por líderes drusos, partiu para o Brasil em 1962. Ele morou durante oito meses no Rio de Janeiro antes de se mudar para Goiás.

Em Ceres, Chichakli tornou-se fazendeiro e também abriu uma loja de secos e molhados. Em entrevista à revista O Cruzeiro, ele afirmou que pretendia desfrutar de uma vida pacata no interior goiano, ao lado da mulher e dos filhos. Mas, dois anos depois, ele morreria de forma violenta.



Em 27 de setembro de 1964, Chichakli atravessava a pé a ponte de concreto que liga Ceres à cidade vizinha de Rialma, de onde voltava após ter visitado amigos. Foi quando Nawaf Gazhaleh, um druso sírio que morava em Taguatinga (cidade-satélite de Brasília), atirou cinco vezes contra o ex-ditador. O atirador alegou que buscava vingança, pois seus pais haviam sido assassinados na Síria pelo governo de Chichakli.

Ghazaleh fugiu, mas se apresentou à polícia dias depois. A comunidade drusa no Brasil se uniu para arcar com os custos da defesa do réu, que acabou sendo absolvido em júri popular, realizado em Goiânia. Depois da absolvição, Nawaf voltou para Taguatinga, onde morreu em 2005. 

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Fontes: Correio Braziliense e Justiça em Foco

Imagens: Acervo Pessoal/Reprodução e Wikimedia Commons