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Um misterioso objeto espacial se move pela galáxia há 10 bilhões de anos

Batizado de “O Acidente”, ele apresenta características que intrigam os pesquisadores

Um estudo publicado no The Astrophysical Journal Letters aborda a existência de um misterioso objeto espacial que se move pela Via Láctea em alta velocidade há quase 10 bilhões de anos. Batizado de "O Acidente", sua descoberta surpreendeu os pesquisadores. Isso porque não se trata de um planeta ou de uma estrela, mas de algo que fica no meio termo entre um e outro.

Estrela fracassada

De acordo com o estudo, "O Acidente" é uma anã marrom (ou "estrela fracassada"). Apesar de serem formados como estrelas, esses objetos não possuem massa necessária para entrar em combustão. Suas características incomuns intrigaram os pesquisadores.

O Acidente, objeto espacial inusitado

"O Acidente" ganhou esse nome pois foi descoberto por puro acaso. Segundo os cientistas, ele não se parece com nenhuma das pouco mais de 2 mil anãs marrons encontradas em nossa galáxia até agora. O objeto parecia fraco em alguns comprimentos de onda infravermelho, sugerindo que era uma anã marrom muito fria e velha, mas ao mesmo tempo aparentava ser brilhante em outros comprimentos de onda, indicando que era uma anã marrom jovem e quente.

O Acidente, objeto espacial inusitado em imagem da NASA

O estranho objeto se encontra a cerca de 50 anos-luz do planeta Terra, e se move pela Via Láctea a aproximadamente 800 mil quilômetros por hora, indicando que é um objeto antigo e impulsionado pela gravidade de objetos maiores. Os cientistas explicaram que "O Acidente" tem pouco metano, gás comum em anãs marrons, e por isso acreditam que, provavelmente, teria se formado há cerca de 10 bilhões de anos, quando a galáxia era composta majoritariamente de hidrogênio e água. 

“Não é uma surpresa encontrar uma anã marrom tão velha, mas é surpreendente encontrar uma dessas em nosso quintal”, disse Federico Marocco, astrofísico da Caltech que conduziu as novas observações usando os telescópios Keck e Hubble. “Esperávamos que anãs marrons tão antigas existissem, mas também acreditávamos que fossem incrivelmente raras. A chance de encontrar uma tão perto do Sistema Solar pode ser uma coincidência feliz, ou indicar que elas são mais comuns do que pensávamos”, completou.

Fontes
Live Science e NASA
Imagens
iStock, IPAC/Caltech e NASA/JPL-Caltech/UCLA