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Cientistas já conseguem manipular memórias

Por History Channel Brasil em 22 de Agosto de 2016 às 01:05
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Por um lado parece assustador: é possível apagar ou alterar nossas memórias. Por outro lado, pessoas que sofrem com traumas ou de Alzheimer podem se beneficiar da novidade científica.

O mecanismo da memória ainda é bastante desconhecido pela ciência, mas um grupo de pesquisadores de Stony Brook University, em Nova York, conseguiu manipular lembranças ao alterar uma substância chamada acetilcolina.

Essa substância é conduzida por neurônios colinérgicos até a amígdala e parece estar diretamente relacionada à memória emocional. Outros estudos mostram ainda que pessoas com doenças neurodegenerativas apresentam alterações nesse sistema de neurônios colinérgicos e amígdalas.

O que os cientistas de Nova York fizeram foi expor alguns camundongos a situações traumáticas. Depois selecionaram um grupo que teve os neurônios colinérgicos estimulados e outro grupo que teve a produção de acetilcolina interrompida. No primeiro grupo, os camundongos levaram até o dobro do tempo para “esquecer” um trauma. No segundo grupo, é como se a memória tivesse disso apagada e os animais não apresentavam mais o trauma.

"Esta segunda descoberta foi particularmente surpreendente, já que essencialmente criou camundongos sem medo através da manipulação de circuitos de acetilcolina no cérebro", diz Lorna Role, professora de neurobiologia e comportamento da Stony Brook (à esquerda na foto de destaque).

O estudo foi publicado na revista Neuron e abre a possibilidade para novas pesquisas sobre controle de memória como uma opção terapêutica para vítimas de violência, pessoas que sofrem de transtornos pós-traumáticos ou mesmo àquelas que sofrem com perda de memória, amnésia ou declínio cognitivo.

Mas, é claro, que tudo pode ser usado para o mal também. E é inevitável não pensarmos na possibilidade de manipulação das mentes, em que a realidade é reescrita.


Fonte: Futurism e Neuron
Imagem: Divulgação/Stony Brook University - da esquerda para a direita: Lorna Role, Li Jiang e David Talmage, grupo de pesquisadores da universidade