Hoje na história

23.Maio.1536

É instituída a Inquisição em Portugal

Em 23 de maio de 1536, a pedido do rei João III, foi instituída a Inquisição em Portugal. Seu principal alvo foram judeus que haviam se convertido ao catolicismo. Estima-se que até o final do século XVIII cerca de 1.100 pessoas tenham sido queimadas vivas. Outras 25 mil foram condenadas a diversas penas.

Os "conversos", também conhecidos como cristãos-novos ou marranos, eram suspeitos de praticar secretamente o judaísmo. Muitos deles eram originalmente judeus espanhóis que haviam se estabelecido em Portugal quando a Espanha os obrigou a converterem-se  ao cristianismo ou a irem embora.  Eles eram perseguidos pela Inquisição, tendo seus bens tomados pelo Santo Ofício. 

Originalmente destinada a questões religiosas, a Inquisição teve influência em quase todos os aspectos da vida portuguesa - política, cultural e social. Sob João III, a atividade dos tribunais foi estendida à censura de livros, bem como a casos de adivinhação, feitiçaria e bigamia. 

O Brasil, colônia portuguesa, também estava submetido ao Tribunal. A Inquisição enviava "visitadores" para investigar presencialmente como se encontravam a fé e o cumprimento dos dogmas católicos pela população. Desse modo, registraram-se três "visitações" à colônia brasileira: na Capitania da Bahia, na Capitania de Pernambuco e no Estado do Maranhão e Grão-Pará.

De 1674 a 1681 a Inquisição foi suspensa em Portugal: os autos-de-fé (rituais de penitência pública de hereges e apóstatas) foram interrompidos e inquisidores foram instruídos a não infligir mais sentenças de confisco de bens. A suspensão ocorreu após uma intervenção do padre Antônio Vieira em Roma, ação que tinha como objetivo encerrar a Inquisição em Portugal e suas colônias. O próprio religioso havia sido julgado e preso pelo Santo Ofício em 1665, acusado de heresia. Após dois anos encarcerado, acabou sendo perdoado.

O religioso, membro da Companhia de Jesus, havia se destacado como missionário em terras brasileiras. Depois de sua soltura, ele elaborou um relatório de duzentas páginas sobre os abusos de poder da Inquisição em Portugal. O material fez com que o Papa Inocêncio XI decidisse pela suspensão dos tribunais.

Antônio Vieira sempre teve compaixão pelos cristãos-novos. Ele insistiu para que o rei João IV não apenas abolisse o confisco de seus bens, mas também removesse as distinções entre eles e os velhos cristãos. Sua defesa dos oprimidos rendeu inimizades. Em 1671 ele acabou sendo julgado novamente pelo Santo Ofício, mas acabou absolvido.

Entre 1773 e 1774, as reformas promovidas pelo Marquês de Pombal aboliram os autos-de-fé e acabaram com os estatutos de "Limpeza de Sangue", que discriminavam os cristãos-novos. Assim, a Inquisição acabou gradualmente ao longo do século XVIII, embora só em 1821 tenha sido formalmente extinta em Portugal.


Imagem: Autor desconhecido (domínio público), via Wikimedia Commons