Hoje na história

17.mar.2014

Polícia Federal deflagra a Operação Lava Jato

Em 17 de março de 2014, a Polícia Federal deflagrou a Operação Lava Jato. A investigação teve como alvo um grande esquema de corrupção que movimentou bilhões de reais em propina. Em seis anos, quase 300 pessoas foram presas, incluindo doleiros, empresários e políticos de renome.

O nome da operação se deve a um posto de combustíveis em Brasília onde funcionava uma casa de câmbio usada para movimentar dinheiro de origem ilícita. Durante as investigações a respeito das atividades de doleiros que atuavam ali, descobriu-se uma rede de corrupção que envolvia executivos da Petrobras. Entre os presos da primeira fase da Lava Jato estava o doleiro Alberto Youssef. Após a PF deflagrar a operação, o Ministério Público Federal em Curitiba criou uma equipe de procuradores para atuar no caso.

Ao investigar Youssef, foi descoberta sua ligação com Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, que seria preso preventivamente na segunda fase da operação. Tanto Youssef quanto Costa assinaram acordos de delação premiada que resultaram no aprofundamento das investigações. Em anos seguintes, as investigações extrapolaram o âmbito da Petrobras e miraram em outras frentes, como superfaturamentos em obras públicas e esquemas de corrupção em fundos de pensão. Em junho de 2015, a operação atingiu grandes empreiteiras brasileiras, como a Andrade Gutierrez e Odebrecht, cujos respectivos presidentes, Otávio Azevedo e Marcelo Odebrecht, foram presos.

Ao longo dos desdobramentos da operação, outras pessoas de destaque acabaram presas. Entre elas estavam o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral e o seu sucessor Luiz Fernando Pezão, o ex-senador Delcídio do Amaral, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, o publicitário João Santana, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, o empresário Eike Batista e, em abril de 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Além disso, a Lava Jato teve desdobramentos internacionais, com delatores relatando o cometimento de crimes em países da Europa, África e Américas.

A Lava Jato também projetou o juiz Sérgio Moro, responsável por julgar em primeira instância os acusados pelos crimes apontados pela operação. Em uma atuação incomum para o padrão da Justiça do país, ele conduziu os processos em ritmo acelerado. Suas decisões sobre prisões preventivas e provisórias geraram uma série de polêmicas. A divulgação de dados sigilosos envolvendo investigados também foi tema de controvérsia. Em 2019, vazamentos de supostas conversas entre Moro e o promotor Deltan Dallagnol, da força-tarefa de investigação da operação, suscitaram questionamentos sobre a postura ética de ambos.

Um balanço da operação divulgado pela força-tarefa da Lava Jato aponta que, ao longo de 70 fases, 293 pessoas foram presas, resultando na condenação de 165 delas. Somadas, as penas aplicadas chegam a 2200 anos de prisão. Além disso, mais de R$ 4 bilhões foram devolvidos aos cofres públicos por meio de 185 acordos de colaboração e 14 de leniência. Ao todo, prevê-se que R$ 14,3 bilhões devem ser devolvidos até o fim da operação.


Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil