automóveis

Da Fordlândia ao encerramento da produção de veículos, a trajetória da Ford no Brasil

Por: HISTORY Brasil

A Ford anunciou nesta segunda-feira (11/01) que encerrará a produção de veículos em suas fábricas no Brasil. A empresa foi a primeira montadora estrangeira a se instalar no país, em 1919. Com apenas 12 funcionários, em um depósito de dois andares no centro de São Paulo, a companhia iniciou a montagem dos automóveis Modelo T e dos caminhões Ford TT. 

Dois anos depois, a empresa se mudou para o Bom Retiro, inaugurando a primeira linha de montagem de veículos em série do Brasil. Em 1923, a fábrica contava com 124 funcionários e tinha capacidade de produção anual de 4.700 carros (40 por dia) e 360 tratores. 




Primeira fábrica da Ford no Brasil

Em 1928, aconteceu um dos episódios mais curiosos da história da empresa. Naquele ano, o empresário Henry Ford comprou um terreno de 10 mil quilômetros quadrados na região amazônica do Tapajós, no Pará. No local, foi criada uma cidade chamada Fordlândia. Com 1,9 milhão de seringueiras, o projeto tinha o objetivo de diminuir a dependência da borracha importada. A Fordlândia seria o polo fornecedor de látex aos empreendimentos da montadora, já que o material era necessário para a confecção de pneus. Até então, as empresas de Ford eram dependentes da borracha produzida na Malásia, na época colônia britânica. 


Vista aérea da Fordlândia



O projeto enfrentou uma série de problemas. Em 1930, os trabalhadores locais se revoltaram com as condições oferecidas pela empresa. Os empregados ficaram insatisfeitos com rotinas que, na época, eram muito novas para os trabalhadores da região, como sirenes, relógios de ponto e regras de comportamento. Além disso, uma doença devastou os seringais e o projeto acabou abandonado em 1933. A iniciativa foi oficialmente encerrada em 24 de dezembro de 1945, em um acordo entre a empresa e o governo federal. Assim, Fordlândia se tornou uma cidade fantasma.

Durante a Segunda Guerra Mundial, além de montar caminhões para o Exército, a pedido do governo, a Ford brasileira passou a adaptar veículos ao gasogênio, um tipo de caldeira instalada no porta-malas alimentada por carvão vegetal para contornar a falta de combustível. Em 1953 é inaugurada a fábrica do Ipiranga, no bairro de mesmo nome em São Paulo, com 200.000 m2 de instalações amplas e modernas. Mais de 2.500 empregados foram contratados para a produção diária de 125 veículos. Em 1958, a empresa ampliou sua linha nacional com os modelos F-100, F-350 e F-600 a diesel. 

Em 1967, a montadora lançou o Ford Galaxie, primeiro carro de luxo brasileiro, com motor V8, direção hidráulica e outros itens inéditos. Grande, sofisticado e bonito, logo tornou- se objeto de desejo. No ano seguinte, com o lançamento do Corcel, a empresa inaugurou o segmento de carros médios no Brasil. A década de 70 começa com o lançamento da Belina, versão perua do Corcel, aumentando o ritmo de produção na fábrica de São Bernardo do Campo.


Fabricação do Galaxie

Em 1977, chegava ao mercado o Corcel II, que ser tornou rapidamente um grande sucesso de vendas, com o recorde de 100 mil unidades nos dez primeiros meses de lançamento. O modelo a álcool desse veículo, lançado no início da década de 1980, foi o primeiro carro da Ford com esse combustível. Em 1983 o Ford Escort se tornou o primeiro veículo de plataforma mundial fabricado no Brasil.

Na década de 1990, a empresa lança modelos de sucesso como o Fiesta e o Ka. Em 2001, a montadora inaugurou  o Complexo Industrial Ford Nordeste, em Camaçari, na Bahia. Em 2003, foi lançado o primeiro utilitário esportivo compacto brasileiro, o EcoSport.


Automóveis da linha Corcel

No fim da década de 2010, a empresa começou a perder espaço no mercado. A montadora, que já foi uma das quatro maiores do País em volume de vendas, já havia fechado a unidade de São Bernardo do Campo (SP) em meados de 2019. Segundo a empresa, a decisão de fechar as fábricas  em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE) faz parte da reestruturação global, que inclui o mercado sul-americano. As operações na Argentina e no Uruguai serão mantidas.


Fontes: Exame, UOLFord e Clube do Fordinho

Imagens: Ford/Reprodução e Wikimedia Commons