BIOLOGIA

Minicérebro criado por cientistas em laboratório desenvolve "olhos"

Pesquisa com células-tronco apresentou resultados inéditos e promissores
Por: HISTORY Brasil

Durante uma pesquisa envolvendo o uso de células-tronco, pesquisadores criaram minicérebros em laboratório. De forma inédita, o estudo demonstrou que esses organoides têm capacidade de desenvolver "olhos" primitivos. Essas estruturas oculares são chamadas de "copos ópticos". 

Minicérebros criados com células-tronco

Muitos aspectos do desenvolvimento e doenças do cérebro humano podem ser estudados usando organoides cerebrais 3D derivados de células-tronco pluripotentes (iPS), que podem dar origem a todos os tipos de células no corpo. De acordo com os pesquisadores, os organoides desenvolveram espontaneamente copos ópticos bilateralmente simétricos a partir da parte frontal da região semelhante ao cérebro. Isso demonstra a capacidade intrínseca de autopadronização de iPS em um processo biológico altamente complexo.



“Nosso trabalho destaca a notável capacidade dos organoides cerebrais de gerar estruturas sensoriais primitivas que são sensíveis à luz e abrigam tipos de células semelhantes às encontradas no corpo”, afirmou Jay Gopalakrishnan, do Hospital da Universidade de Düsseldorf, na Alemanha. “Esses organoides podem ajudar a estudar as interações cérebro-olho durante o desenvolvimento do embrião, modelar distúrbios retinais congênitos e gerar tipos de células retinais específicas do paciente para testes de drogas personalizadas e terapias de transplante”, completou.

Os pesquisadores geraram 314 organoides cerebrais, 72% dos quais formaram copos ópticos, mostrando que o método é reproduzível. Essas estruturas continham diversos tipos de células retinais, que formaram redes neuronais eletricamente ativas que responderam à luz. Os organoides cerebrais com copo óptico também continham lentes e tecido corneano e exibiam conectividade retiniana às regiões cerebrais. No futuro, os cientistas planejam desenvolver estratégias para manter os copos ópticos viáveis por longos períodos de tempo, usando-os para investigar mecanismos que causam distúrbios retinais.



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Fonte: EurekAlert

Imagem: Elke Gabriel/Divulgação