JEANS

Nem Egito e nem China: descoberta a nova origem do azul da calça jeans

Por: HISTORY Brasil

O famoso jeans azul, peça básica de qualquer guarda-roupa, ganhou popularidade no final do século XIX, nos EUA, mas sua origem pode ser muito mais antiga.

O antropólogo da Universidade Vanderbilt Tom Dillehay e o arqueólogo especialista em artigos têxteis Jeffrey Splitstoser, da Universidade George Washington, revelaram uma possível origem ancestral deste tecido.

Em 2004, Dillehay decidiu voltar a fazer pesquisas no sítio arqueológico de Huaca Prieta, no Peru, que se tornou famoso em 1940 por ser o lugar onde foram encontrados os tecidos de algodão mais antigos da América. Além de restos humanos e de alimentos, os pesquisadores encontraram mais de mil  peças de algodão em boas condições, que datam de 6 mil anos atrás.

Em 2009, Splitstoser passou a fazer parte da equipe para investigar os tecidos. Foram sete anos de estudos sobre quase 800 exemplares de roupa, que estavam muito sujos. O especialista tinha como missão descobrir quais as tramas, estruturas e materiais foram usados pelos antigos peruanos para a fabricação de tecidos e quais cores foram aplicadas para o tingimento.

Índigo




A lavagem, feita com produtos químicos especiais, revelou, finalmente, partículas de tonalidade azul. Por esse motivo, os arqueólogos decidiram enviar essa tinta ao químico Jan Wouters, da Universidade de Gante, na Bélgica, que descobriu que era o pigmento “índigo”, utilizado para tingir os jeans de hoje em dia.


Este corante vegetal não é solúvel em água e isso era um problema para os antigos peruanos. Para corrigir isso, o índigo era misturado com urina, o que tornava-o solúvel em água, porém sua cora ficava amarelada. Uma vez aplicado ao tecidos e ao entrar em contato com o oxigênio novamente, o corante recuparava seu tom azul.

Há seis mil anos, o índigo em Huaca Prieta era obtido a partir de várias plantas. Atualmente, é sintetizado em laboratório.


Peruanos pioneiros 



Até recentemente, pensava-se que índigo tinha sido usado pela primeira no continente americano em Ocucaje, no sul do Peru, pela cultura Paracas, há 2500-2250 anos, de acordo com um estudo divulgado pela revista Science Advances. Acreditava-se que os pioneiros do uso deste produto no mundo tinham sido os egípcios, há 4.400 anos, e, depois deles, os chineses, há 3 mil anos.

Porém, testes de carbono 14 confiram agora que os  tecidos de 6 mil anos, fabricados pelos antigos peruanos de Huaca Prieta, indicam que o uso mais antigo do índigo no mundo que se tem conhecimneto foi realmente na costa norte do Peru.

 


Fontes: BBC , Science Mag

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Imagem do corpo do texto: Cortersia/Lauren A. Badams