RADIAÇÃO

Por que é seguro viver em Hiroshima ou Nagasaki, mas não em Chernobyl

De modos diferentes, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki e a região da Rússia onde ficava a central de Chernobyl sofreram graves consequências causadas pela radiação nuclear. No entanto, o panorama atual entre as áreas afetadas é muito diferente. A resposta se encontra nos tipos de reações que ocorreram em cada lugar, na quantidade de material envolvido nas explosões e na altura na qual ocorreram as detonações. 

A explosão em Chernobyl foi uma reação lenta. O interior do reator sofreu um superaquecimento do combustível nuclear, acumulando vapor, o que exercia uma enorme pressão sobre o tanque. As partículas radioativas que uma bomba atômica libera são altamente tóxicas, mas seu tempo de vida é curto. As liberações do reator são menos tóxicas em princípio, mas permanecem muito mais tempo. 

A bomba de Hiroshima possuía 64 kg de urânio enriquecido, dos quais somente um deles entrou em fissão. Ou seja, foi esse quilo que efetivamente emitiu material radioativo. O reator de Chernobyl, por outro lado, continha toneladas de urânio enriquecido, e calcula-se que a liberação foi ao menos 100 vezes mais radioativa do que as bombas de Hiroshima e Nagasaki.

Nas cidades japonesas, as bombas explodiram no ar, a mais de 500 metros do solo, e assim o material radioativo se dissipou no ar, diminuindo as partículas tóxicas no terreno. Ao contrário, a explosão de Chernobyl ocorreu no nível do solo e em uma temperatura menor à das bombas atômicas, e assim as partículas tóxicas não se dispersaram na atmosfera.

Atualmente, Hiroshima e Nagasaki são cidades prósperas e importantes portos japoneses. Já Chernobyl continua sendo uma área altamente restrita. No entanto, algumas pessoas continuam trabalhando no local e inclusive voltaram a morar nos arredores. Em 2019, mais de 60 mil turistas visitaram Pripyat, a cidade fantasma que foi evacuada após a explosão. 


Fonte: BBC

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