sexualidade

Sex shops evangélicas existem e têm público fiel

O mercado gospel de produtos eróticos está em franco crescimento no Brasil. Segundo o Sebrae, alguns estabelecimentos registram que até 30% de seus consumidores pertencem ao público evangélico. Para a surpresa de algumas pessoas, sex shops evangélicas existem e têm um público fiel. 

O último censo do IBGE apontou que existem 42,3 milhões de evangélicos hoje no Brasil – 22,2% da população. Pesquisas projetam que eles devem ultrapassar pela primeira vez o total de católicos no país a partir de 2032.

Distante dos domínios da igreja, o mercado de produtos eróticos no país cresce feliz e saltitante, movimentando algo em torno de R$ 1,8 bilhão ao ano. Mas o que antes poderia ser visto como um antagonismo, hoje virou uma relação de parceria. Os evangélicos passaram a reivindicar o direito ao sexo e a indústria de produtos eróticos atendeu prontamente às exigências da nova clientela.

Há alguns anos começaram a surgir as sexshops direcionadas ao público gospel, com produtos desenvolvidos para proporcionar prazer e não ferir as leis divinas. Em 2014, o casal João e Lídia Ribeiro, que administra uma rede de lojas eróticas, criou uma linha de produtos voltados para esse segmento. Conheça sua história no vídeo:

 

Os produtos precisam atender a alguns limites: devem ser direcionados a casais heterossexuais formalmente casados, não podem ser usados para masturbação individual ou práticas consideradas anti-cristãs, como sexo anal, sadomasoquismo e relação entre pessoas do mesmo sexo.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme), a virada aconteceu quando os empreendedores do setor resolveram investir em pontos de venda nas periferias das grandes capitais – onde também está a maior concentração de evangélicos pelo país.

Desde 2018, o mercado erótico em geral está crescendo entre 30% e 35% ao ano. As mulheres representam 70% das vendas dos sex shops em todo o Brasil. 

Todos os meses são vendidos cerca de 10 milhões de itens eróticos no Brasil. As vendas por e-commerce representam 90% de todas as compras no país. Isso se deve às facilidades de se comprar na internet e também à discrição que essa modalidade de compras oferece.

Estimativas apontam que durante a pandemia, o volume de vendas aumentou 50% em relação ao ano anterior. João e Lídia afirmam que esse aumento também se refletiu entre o público evangélico. 


Fontes: Abeme, Pleno News e Universidade de Ribeirão Preto

Imagem: Shutterstock.com