Hoje na história

03.Abr.2016

Escândalo do Panama Papers vem à tona

No dia de 3 abril de 2016, a liberação dos arquivos conhecidos como "Panamá Papers" sacudiu o mundo político, corporativo e dos famosos. Um poderoso acervo de 11,5 milhões de arquivos confidenciais de uma empresa de advocacia com sede no Panamá, vazou com informações detalhadas de mais de 214.000 empresas de paraísos fiscais offshore, incluindo as identidades dos acionistas e administradores - entre seus proprietários constavam presidentes, empresários, estrelas do esporte, celebridades e pessoas ligadas a poderoso do mundo todo.

Os documentos que vazaram são de uma pouco conhecida, mas poderosa firma de advogados panamenha, a Mossack Fonseca, que possui filiais em Hong Kong, Miami, Zurique e em mais de 35 outros pontos do globo. As informações vieram à tona após uma investigação jornalística conduzida ao longo de um ano por vários jornais do mundo. Os documentos confidenciais foram obtidos pelo jornal alemão “Süddeutsche Zeitung” por meio de uma fonte anônima.

As informações cobrem um período de quase 40 anos, de 1977 a finais de 2015. A empresa de advogados é uma dos maiores criadoras mundiais de empresas de fachada, estruturas empresariais que podem ser usadas para esconder a propriedade de patrimônio e dinheiro. A maioria dos serviços oferecidos pela indústria offshore são legais, se usadas conforme a lei. Mas os documentos mostram que bancos, sociedades de advogados e outros atores do mundo offshore evitam muitas vezes seguir os requisitos legais para proteger seus clientes dos impostos e garantir o anomimato por conta de outras circunstâncias suspeitas. Os documentos tornam claro que os grandes bancos estão por trás da criação de companhias fantasma difíceis de detectar nas Ilhas Virgens britânicas, no Panamá e outros paraísos fiscais.

A empresa do Panamá trabalhou para membros de casas reais no Médio Oriente, empresas offshore ligadas à família do presidente da China, Xi Jinping; o presidente ucraniano Petro Poroshenko, o falecido pai do primeiro-ministro britânico David Cameron, empresas offshore controladas pelos primeiros-ministros da Islândia e do Paquistão, o rei da Arábia Saudita e os filhos do presidente do Azerbeijão. Os documentos também revelaram que pessoas próximas do presidente russo Vladimir Putin desviaram US$ 2 milhões através de bancos e empresas-fantasma. No Brasil, a sociedade de advogados tornou-se um alvo na Operação Lava Jato. A lista de líderes mundiais que usaram a Mossack Fonseca para criar entidades offshore também inclui o presidente da Argentina, Mauricio Macri. A empresa do Panamá alega que ela tem o trabalho de criar a empresa, mas que não é responsável pelo usao que o cliente fará depois com a offshore criada.


 

Imagem: [Domínio Público], via Wikimedia Commons